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Governo do Paraná deixa de fornecer comida para presos em delegacias

Reportagem apurou que policiais chegam a pagar comida do próprio bolso; polícia diz que presos ficam pouco tempo nos distritos e que não há necessidade de alimentação

Governo do Paraná deixa de fornecer comida para presos em delegacias
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Presos que ficarem nas carceragens de delegacias de Curitiba a partir de agora não terão o que comer. O Governo do Paraná informou aos distritos policiais que o contrato com a empresa que fornecia marmita para os detidos foi encerrado e que não há perspectiva de renovação. O e-mail da Divisão de Infraestrutura da Polícia Civil, ao qual o Plural teve acesso, foi enviado no dia 10 de dezembro de 2025, um dia após o fim do contrato com a Risotolândia.

O discurso do governo é de que não há necessidade, uma vez que hoje os presos já não ficam por muito tempo nas delegacias, e são logo encaminhados para o sistema prisional. De fato, as celas dos distritos policiais não cumprem mais a função de cadeias provisórias, como acontecia em anos anteriores. Em geral, os presos são levados para centros de triagem ou outras unidades logo após a detenção.

No entanto, funcionários da Polícia Civil relatam que há casos em que detentos chegam a passar dois ou três dias nas delegacias - e desde dezembro, não há fornecimento de refeição para essas pessoas. O Plural apurou que em um caso específico os funcionários da delegacia tiveram que pedir comida por aplicativo para um preso que passou um tempo maior do que o comum no local. Foram cinco refeições de iFood pagas pelos próprios policiais.

Mesmo em casos de demora menor, podem acontecer problemas. "Acontece do cara chegar às 19:00. Vai ser autuado e recolhido pelas 23:00. No dia seguinte, se tiver IML vai de amanhã, aí volta pra a DP. É transferido para a cadeia de tarde, vai comer no dia seguinte na hora do almoço", relata um policial ouvido pela reportagem.

Procurada pelo Plural a Polícia Civil respondeu ao questionamento apenas com uma nota. "A Polícia Civil do Paraná (PCPR) informa que não mantém pessoas custodiadas em suas unidades policiais. Por isso, não possui contrato para fornecimento de alimentação", diz o texto.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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