O cantor e artista de rua Plá, personagem conhecido na cidade, tornou-se presença permanente no centro de Curitiba. Sua imagem foi ‘eternizada’ em um painel gigante na face Sul do Edifício Schwiderski, localizado na esquina da rua Alfredo Bufren com a Presidente Faria.

Idealizado pelo artista GardPam, o projeto levou cerca de 2 anos para sair do papel. Para um painel desse é necessário obter uma série de autorizações e documentos para que o alvará seja emitido. Desde plano de segurança, a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para a ancoragem dos equipamentos e a autorização dos condôminos e da prefeitura.
Em entrevista para o Plural, GardPam contou que a ideia da homenagem surgiu a partir de suas vivências no centro e da música “Para andar de bicicleta tem que ter moral”, que é de autoria de Plá. Diz GardPam:
Eu sempre fui um frequentador do centro, e ele [Plá] sempre está sempre por lá [...] Ele é uma pessoa muito caricata, é um artista de rua que está nessa mesma batalha há anos e levanta a bandeira do modal da bicicleta, do ambientalismo. E ele é um artista de uma pureza muito grande, não está em busca de fama… ele é um símbolo da cultura paranaense para mim.
A base da ilustração foram fotos e vídeos do Plá alí no centro mesmo, com sua bicicleta. A imagem exata é um frame de um vídeo, que foi trabalhada posteriormente digitalmente por GardPam, que idealizou o mais novo painel da cidade.
O processo prático da arte começou com a aplicação do fundo preparador, que foi necessário para que a tinta permanecesse mais tempo na parede. Deste momento para o fim da obra, se passaram cerca de 2 meses.

Esse projeto não teve financiamento da prefeitura ou do estado, portanto, GardPam não teve remuneração; pelo contrário, teve que usar dos próprios recursos para o trabalho. A tinta foi patrocínio de uma empresa local, mas a mão de obra de profissionais e os gastos com equipamento excedem R$ 50 mil.
Graffiti em Curitiba
Há em tramitação na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) um projeto de lei, de autoria de Guilherme Kilter, que sugere triplicar a punição paga por quem é surpreendido pichando, escrevendo ou grafitando sem autorização em espaços particulares.
Porém, como descrito em reportagem de Luciana Melo do dia 18 de maio, essa lei é vista por artistas da cena como uma tentativa de maquiar a cidade e boicote à periferia. GardPam explica: "o grafite ele caminha junto assim entre o ilegal e o legal. Se não, não é nem grafite daí. Ele se apropria muitas vezes dos espaços da cidade: locais abandonados, portas de comércio, pontilhão."
Ele complementa dizendo que projetos como o de alteração da Lei Antipichação impede o desenvolvimento de novos artistas e acaba contribuindo para o estigma dessa arte:
Com esse valor de multa e essa criminalização maior do grafite, quem tinha o dom, aquela paciência de ir pra rua e fazer um trabalho bem feito, um grafite bonito, estão desistindo, eles desistiram e pararam. [...] O que sobrou é só o grafite rápido, pichação, o trawap que é só a parte de fora, as tags pequenas. É uma parte que esteticamente ela é muito mais agressiva pra cidade. E isso é uma culpa dessas leis aí.
Texto de Giovani Sella, aluno de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
