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Estudantes da UFPR convocam ato no Centro Politécnico após ocupar prédio da Universidade

O Diretório Central dos Estudantes(DCE) da UFPR ocupou prédio ao lado da reitoria, que já foi sede da organização estudantil e organizam ato na quarta-feira(20)

Estudantes da UFPR convocam ato no Centro Politécnico após ocupar prédio da Universidade

Texto de Giovani Sella, aluno de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo

Após reunião insatisfatória com a Reitoria da universidade, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) ocupou na madrugada da última quinta-feira (14) um prédio da UFPR. O imóvel, localizado ao lado da reitoria e acima do restaurante universitário, está sem uso há mais de 5 anos.

Além da ocupação, o DCE organizou um ato para o dia 20 de maio as 17hrs, uma hora antes de uma nova reunião para continuação dos assuntos tratados e apresentação de carta com demandas estudantis.

Diálogo entre estudantes e Reitoria

A reunião que desencadeou as manifestações ocorreu na quarta-feira passada (13) e foi finalizada com o reitor Marcos Sunye e a vice-reitora Camila Fachin se retirando do espaço sem a apresentação de todas as demandas dos estudantes. O encontro em questão tratou sobre a proposta de criação de um centro de convivência no Centro Politécnico. Em nota ao jornal, a Reitoria informou que os temas na reunião debatidos terão continuidade em um outro encontro marcado para dia 20 de maio as 18hrs, no Centro Politécnico.

Segundo Maria Oliveira, estudante de Artes Visuais e secretária geral do DCE da UFPR, que estava presente na reunião do dia 14, os estudantes tentaram apresentar uma proposta de carta com suas demandas, mas os reitores não quiseram ouvir. Dentre as questões que levaram à ocupação está a sinalização de que os centros acadêmicos – espaços dentro da universidade destinados aos estudantes e autogeridos – não sejam destruídos e a apresentação de informações claras sobre o restauro do prédio ocupado, que já foi sede do DCE.

Sobre os centros acadêmicos, a reitoria afirma em nota que “a gestão dos espaços dos CAs é de responsabilidade das direções dos setores” e que “não há qualquer determinação de despejo” das entidades estudantis desses espaços”.

Os estudantes pretendem só sair do prédio com a garantia de suas questões foram escutadas, atendidas e que novos espaços de convivência sejam construídos apenas com o diálogo e aval da comunidade acadêmica.

Prédio do DCE ocupado | Foto: Giovani Sella

Prédio do DCE da UFPR

O prédio ocupado tem uma história que permeia a luta estudantil e já foi ocupado outras vezes, como em junho de 2024, quando o movimento indígena denominado “Maloca UFPR” esteve no prédio. Eles reivindicavam moradia para alunos indígenas que cursam ensino superior em Curitiba e no litoral.

Em seu interior é possível ver as marcas do tempo e do abandono, sem sinal de reforma. Nas paredes há cartazes de outros movimentos que ocuparam o espaço e marcas de diversas gestões do DCE que frequentavam o local. Foram encontrados documentos históricos, ainda do período da ditadura, sem os devidos cuidados e sem perspectiva de armazenamento adequado.

Sobre a ocupação do prédio a reitoria publicou uma nota na qual afirma que :

A UFPR já iniciou obras e processos de recuperação no complexo que inclui o DCE [...] Atualmente o edifício não atende às normas de segurança contra incêndio e desastres, apontando problemas em hidrantes, extintores, portas corta-fogo, saídas de emergência e rotas de fuga.

Apesar de citar inspeções de 2013, 2025 e 2026, o prédio havia sido devolvido aos estudantes após reforma em 2018 pelo então reitor Ricardo Marcelo antes de ser novamente desocupado. A nota oficial conclui que não recomenda a ocupação do edifício, que é localizado em um complexo que inclui a Biblioteca Central, a casa da estudante universitária curitibana (CEUC) e o Restaurante Universitário da Universidade. Esses dois últimos estão em funcionamento e com fluxo alto de pessoas.

Outras demandas

Oliveira também cita outras demandas do DCE, como melhores condições de segurança para as mulheres na Universidade, criação de um espaço de acolhimento para vítimas de assédio, a unificação do Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) e prioridade de investimento de recursos na criação de moradia estudantil em Curitiba, nos campi avançados e no litoral.

Pilha de documentos históricos deixados no prédio do DCE | Foto: Giovani Sella
Documento do período da ditadura | Foto: Giovani Sella
Interior do prédio do DCE | Foto: Giovani Sella
Interior do prédio do DCE | Foto Giovani Sella
Giovani Sella

Giovani Sella

Fotógrafo, cinegrafista e estudante de Jornalismo na UFPR. Atua em um grupo de pesquisa sobre financiamento do jornalismo e se dedica ao audiovisual, ao jornalismo de dados e ao investigativo.

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Tags: UFPR curitiba

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