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Alunos denunciam racismo, homofobia e assédio em escola estadual terceirizada de Curitiba

Segundo familiares, denúncias encaminhadas ao Núcleo Regional de Educação foram ignoradas. Seed não comentou o caso

Alunos denunciam racismo, homofobia e assédio em escola estadual terceirizada de Curitiba
Alunos e familiares denunciaram o programa "Trapaceiro da Escola". Foto: Assessoria deputado Renato Freitas/Divulgação
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Alunos e familiares dos estudantes do Colégio Estadual Maria Montessori, no bairro Tingui, em Curitiba, fizeram uma manifestação nesta sexta-feira (14) para denunciar casos de racismo, homofobia, capacitismo e assédio moral que teriam sido praticados pela direção do estabelecimento. O colégio é um dos incluídos pelo governo de Ratinho Júnior (PSD) no programa de terceirização da gestão de escolas.

Os manifestantes exibiram cartazes pedindo a saída da diretora Graziella Pia de Miranda, que responde a um processo administrativo por assédio moral, racismo e homofobia, mas foi nomeada para comandar a escola. Outros cartazes tinham a inscrição “Trapaceiro da Escola”, em referência ao programa de privatização. Chamado pelo governo de Parceiro da Escola, o programa garantiu o repasse de R$ 1 bilhão para três grupos privados pelos próximos quatro anos.

Um estudante disse que foi chamado de "favelado" pela coordenadora da escola. Uma aluna do 7º ano, de cerca de 12 anos, teria deixado o colégio chorando após uma humilhação pública diante dos colegas, motivada pelo uso incorreto do uniforme. Um casal de mães já denunciou a direção por negligência depois ter o filho foi xingado de "veado" e "gordo", mas não houve resposta. Alunos e pedagogas já teriam deixado o estabelecimento chorando após humilhações.

Segundo as famílias, as denúncias foram registradas junto ao Núcleo Regional de Educação de Curitiba, mas não houve resposta. Uma reunião marcada para quarta-feira (12 de novembro) teria sido cancelada sem justificativa. Foi criado no Instagram o perfil “Mães pela Educação Paraná”, para que responsáveis por alunos enviem seus relatos sobre a gestão das escolas. 

O Plural entrou em contato com a assessoria da Seed na quinta-feira (13), mas não obteve um posicionamento até a publicação desta matéria.

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Aluno foi chamado de "favelado" pela coordenadora da escola

Outra escola terceirizada, em Maringá, tem denúncias de assédio moral. No fim do mês passado, uma professora do Colégio Estadual Dirce de Aguiar Maia chegou a ser hospitalizada. O caso foi denunciado ao Núcleo Regional de Educação.

Mais 96 terceirizações

O governo de Ratinho Júnior agendou consulta à comunidade escolar de mais 96 colégios que poderão ser terceirizados. Destes, 83 rejeitaram a terceirização em dezembro do ano passado e nas demais o quórum da consulta não foi atingido. A consulta será na terça-feira (18).

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Se os colégios rejeitarem a terceirização na próxima semana, poderão ser novamente indicados para o programa, pois Ratinho Júnior e o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, já demonstraram que não respeitam a decisão da comunidade escolar. Além disso, depois da votação realizada em dezembro, a Seed decidiu terceirizar 70 escolas em que o quórum não foi atingido, garantindo um repasse bilionário para empresas privadas.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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