Apenas neste ano, 34 médicos foram vítimas de agressão ou violência no Estado, segundo dados do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Os números são reflexo de falta de estrutura para trabalho, falta de mão de obra, e baixa qualificação de alguns profissionais, entre outros.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2024 foram registrados 767 boletins de ocorrência junto às Polícias Civis do Brasil. O Paraná foi o segundo Estado do ranking com mais casos e Curitiba concentra 12% dos registros, segundo dados de 2024.
O Paraná é o quinto estado com a maior quantidade de médicos e entre 2013 e 2024, alcançou 3,9 mil casos de violência, conforme o CFM. Pacientes e familiares deles são os autores em grande parte dos casos.
Além disso, houve uma escalada gradual no número de registros junto ao CRM no Paraná. Em 2023 apenas um caso foi relatado oficialmente no Estado. No ano seguinte, 27. Em 2025, foram 134 queixas. Entre outros fatores, o que contribui para o aumento é a própria conscientização dos trabalhadores sobre os canais de denúncia no Conselho.

De acordo com o médico Carlos Felipe Tapia Carreño, Conselheiro e Gestor do Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional do CRM-PR, entre as denúncias estão a agressão física, mas também ameaça, assédio, vias de fato, injúria, calúnia, difamação, perturbação do trabalho e desacato.
Os casos de violência contra médicos não ocorrem apenas em unidades públicas. Na rede de saúde suplementar também há registros. “O aumento das denúncias se dá tanto pela conscientização dos médicos, mas outros fatores como falta de insumos, médicos despreparados por causa da formação e baixa remuneração”, explica.
Tensão
Quando um paciente chega a uma unidade de saúde ou hospital tanto da rede pública quanto na rede de saúde suplementar, o desconforto ou problema de saúde já existe. Nesse cenário, o paciente espera resolver o problema com agilidade, mas a falta de pessoal e de estrutura provoca tensões. “E quem sofre com isso é quem está ali na linha de frente do atendimento, principalmente profissionais de enfermagem e médicos”, lamenta Carreño.
Na rede pública um dos fatores críticos é a estrutura, enquanto na rede de saúde suplementar é a produtividade, conforme o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar). “O que mais chega para gente é violência institucional: exigência de produtividade ao invés de resolutividade. Então o gestor está ali em cima para pressionar e o médico nem consegue respirar entre uma consulta e outra”, critica a médica Claudia Paola Carrrasco, secretária-executiva do Simepar.
Os dados, todavia, podem ter subnotificação, já que consideram dados dos boletins de ocorrência e das reclamações enviadas formalmente aos órgãos de defesa.
Denúncias
A orientação tanto do Conselho quanto do sindicato é para que profissionais médicos coletem provas das situações de violência, registrem boletim de ocorrência junto à Polícia Civil (PC) e acionem os canais de denúncia.
“A gente pede que o médico documente isso: testemunhas, vídeos, e orientado que faça o boletim de ocorrência, além de fazer um e-mail para o sindicato formalizando e possamos encaminhar para as providências deste jurídico”, destaca a médica Paola, do Simepar.
Já no CRM é possível enviar os relatos tanto pelo email ( [email protected]) quanto por telefone: 41 3240-7800.
