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Peça sobre câncer foi último projeto de Maurício Vogue

Espetáculo reúne três personagens numa sala de quimioterapia

Peça sobre câncer foi último projeto de Maurício Vogue
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Três personagens confinados em uma sala de quimioterapia, tendo de encarar suas dificuldades e a realidade da doença. Pessoas que dificilmente conversariam em outra situação, em função de suas realidades sociais diferentes, mas que naquele momento estão fragilizadas e unidas pela sua própria mortalidade.

A premissa da peça pode fazer suspeitar de um drama, mas pelo contrário: a ideia é fazer uma comédia em que o público consiga se relacionar com as histórias dos personagens sem precisar passar por um sofrimento. "O título da peça diz tudo", conta Fagner Zadra, um dos idealizadores do espetáculo. "Vai se chamar: Desculpe, preciso rir disso", conta Zadra.

A peça provavelmente foi o último projeto em que Maurício Vogue, que faleceu na semana passada, se envolveu. O artista, que enfrentava um câncer havia seis anos, se uniu a Zadra e ao palhaço Alípio para levantar a peça, que estava sendo escrita por Zadra e Rhenan Queiroz.

"A ideia era que nós três passamos por histórias de câncer. O Maurício estava enfrentando isso, eu e o Alípio já tivemos câncer também e nos curamos. Todos nós adquirimos uma sensibilidade para pensar e falar nisso", conta Zadra, que ficou desolado com o falecimento de Maurício. "Trabalhar com ele nesse projeto foi incrível, ele virou um irmão para mim."

Segundo Zadra, Maurício, durante o período de um ano em que o grupo trabalhou no espetáculo, foi um exemplo de força. "Ele era impressionante. A quimioterapia é um negócio que te destrói, eu passei por isso. Mas nunca vi ele reclamar, de verdade", diz Zadra.

Maurício, que descobriu o câncer ao fazer uma cirurgia de vesícula, fez um longo tratamento e jamais desistiu da cura. Numa entrevista, chegou a dizer brincando que ficava triste com a ideia da morte porque "não poderia mais ir às estreias de teatro. Os outros vão estar lá e eu não vou poder", dizia, dando uma ideia de sua paixão pela arte.

Zadra diz que agora o grupo terá de repensar a peça, sem a presença de Maurício. "E a responsabilidade vai ficar ainda maior", conta ele.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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