Os shows do Verão Maior, que começam neste fim de semana no Litoral do Paraná, consumirão no mínimo a metade de todos os recursos que o Governo de Ratinho Jr. (PSD) previu para o novo edital do programa de fomento à cultura estadual, o Profice.
Os cachês dos artistas e grupos contratados para animar o verão nas praias somam pelo menos R$ 10 milhões - não é possível saber o valor total devido a problemas de transparência do Governo. O Profice, no único edital lançado por Ratinho durante a segunda gestão de Ratinho, prevê R$ 20 milhões em isenção fiscal para contemplar toda a classe artística do estado.
As apresentações no Litoral incluem cachês em valores altíssimos, como os R$ 850 mil pagos ao DJ Alok, que abre a festa nesta sexta-feira em Matinhos, e os R$ 750 mil oferecidos à cantora Ana Castela. A dupla Zé Neto e Cristiano levará do erário R$ 810 mil, enquanto os Paralamas do Sucesso receberão R$ 484 mil.

Já o show de Israel e Rodolffo foi contratado por R$ 800 mil. A dupla é responsável por versos como "Na cama, cê tem talento/Cê manja dos movimento/Tem de tudo, só não tem sentimento".
Os valores citados estão todos de acordo com dados oficiais revelados pela jornalista Rosiane Correia de Freitas, aqui no Plural.
Profice
Já o Profice, único programa de fomento à cultura no estado feito com recursos da administração estadual, deveria ser anual. No entanto, não houve edições nem em 2023, nem em 2024. O dinheiro do último edital, lançado em 2022, demorou dois anos para ser liberado, e só agora, em finais de 2025, foi lançado um novo edital com previsão de R$ 20 milhões,
O valor do Profice é dividido em diversas áreas. A parte de Produção e Difusão Cultural, mais abrangente delas, que inclui filmes, peças de teatro e espetáculos em geral, terá R$ 8 milhões em renúncia fiscal. Em tese, isso deveria servir para fomento das atividades culturais no estado por um ano todo - caso de fato seja lançado outro edital em 2026.
No total, o dinheiro consumido pelo Profice equivale a apenas 0,04% de todo o dinheiro arrecadado pelo Governo do Paraná em 2025 com o ICMS - imposto que é usado para pagar o programa. Em 2025, o estado arrecadou somente em ICMS mais de R$ 51 bilhões, segundo o Portal da Transparência.