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Assembleia aprova homenagem póstuma a Yá Mukumby, mãe de santo assassinada em Londrina

A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou um título póstumo de Cidadã Honorária do estado à mãe de santo assassinada em 2013. A iniciativa da homenagem é do deputado Renato Freitas

Assembleia aprova homenagem póstuma a Yá Mukumby, mãe de santo assassinada em Londrina
Yá Mukumby, mãe de santo assassinada em LondrinaYá Mukumby, mãe de santo assassinada em Londrina. Foto: Divulgação
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Nesta terça-feira (10), a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou o Projeto de Lei 157/2023, que concede o título póstumo de Cidadã Honorária do estado à mãe de santo Vilma Santos de Oliveira, conhecida como Yá Mukumby. Mãe Vilma foi assassinada em 2013 junto com sua mãe e sua neta, por um homem em surto psicótico.

A proposta e de autoria do deputado estadual Renato Freitas (PT) e busca reconhecer a trajetória da líder religiosa, que também foi uma referência no movimento negro paranaense.

Yá Mukumby foi uma das mães de santo mais conhecidas do Paraná. A sacerdotisa chegou à Londrina aos 11 anos, mas foi em Cambé, cidade vizinha, que fixou raízes. Por 45 anos, coordenou o terreiro de Candomblé Ilê Axé Ogum Megê, do qual foi fundadora. Desde a adolescência se aproximou do Candomblé e passou a se interessar pela luta da população negra, causas que marcaram sua trajetória.

A yalorixá teve uma atuação destacada em diversas frentes. Presidiu o Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Londrina e militou no Movimento Negro Unificado. Foi conselheira do Núcleo Afrobrasileiro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e do Conselho de Integração da instituição, representando as religiões afro-brasileiras. Além disso, integrou o Conselho Municipal de Direitos da Mulher, a diretoria da Escola de Samba Zumbi dos Palmares e ajudou a fundar a Associação AfroBrasileira (AABRA) de Londrina. Na década de 1980, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, no qual continuou a dar visibilidade ao debate político e racial.

Em agosto de 2013, a líder religiosa foi vítima de um crime brutal. Aos 63 anos foi assassinada pelo vizinho Diego Ramos Quirino, de 30 anos, que, durante um surto psicótico, invadiu sua casa e a matou a facadas. Sua mãe, Allial de Oliveira dos Santos, de 86 anos, e sua neta, Olivia Santos de Oliveira, de 10 anos, também foram mortas. Antes do ataque, o agressor já havia ferido a companheira, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos, e matado a própria mãe, Ariadne Benck dos Anjos, de 48 anos.

Na justificativa do PL, o deputado Renato Freitas lamentou a morte trágica e precoce da yalorixá. “A atuação valiosa da Yá Mukumby foi inesperadamente interrompida numa tragédia imensurável. E é nossa tarefa, como sucessores dela na luta racial, reivindicar seu legado, celebrar sua presença entre nós e manter viva a memória da sua contribuição fundamental para o movimento negro de todo o estado”, destacou o parlamentar.

Renato também ressaltou que, independentemente de qualquer honraria formal concedida postumamente, Yá Mukumby já era reconhecida em vida. A líder religiosa foi coautora do livro “O negro na universidade: o direito à inclusão” e teve sua história registrada na obra "Yá Mukumby, a Vida de Vilma Santos de Oliveira", publicada pela Editora da Universidade Estadual de Londrina (Eduel) como parte da coleção Presença Negra em Londrina.

O projeto agora segue para a Casa Civil. O governador terá um prazo de 15 dias para sancioná-lo.

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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