Reunidos em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, para o XIII Encontro das Crianças Sem Terrinha, filhos de agricultores do Movimento Sem Terra (MST) estiveram ontem (17) na Capital, na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), onde entregaram um manifesto aos deputados estaduais. O texto cobra a garantia de direitos básicos, como acesso à cultura, à educação, à terra, à moradia e à saúde. A permanência na terra e o respeito à integridade física e psíquica também foram cobrados dos parlamentares.
De acordo com o Movimento Sem Terra, em 2019, setecomunidades foram despejadas no Paraná. Cerca de 800 crianças ficaram semmoradia e foram obrigadas a mudar de escola, como aconteceu no acampamento JoséLutzenberger, em Antonina. Ainda de acordo com o MST, mais de 70 comunidadesrurais estão ameaçadas de despejo no Estado.
“Estamos sabendo que tem muitas ameaças de despejo. Isso tem que parar, porque a nossa vida está lá, a nossa família está lá”, disse o garoto Anderson, de 12 anos. No acampamento em que mora, em Antonina, 100% da produção é agroecológica.
“Queremos que não tenha mais violência contra os Sem Terrae que o Estado cumpra sua obrigação de garantir a segurança do povo. Nós, SemTerrinha, estamos sentindo que nossas famílias estão sendo discriminadas,ameaçadas e tratadas como “bandidos”, criminalizando nosso direito de luta. Eisso deixa nós, Sem Terrinha, com medo. Exigimos respeito e o direito depermanecer em nossas terras. Pois nossas famílias produzem alimentos que ajudamalimentar a população da cidade e melhorar a economia do município”, diz umtrecho do documento.
Protocolado e entregue aos deputados e integrantes do Núcleoda Infância e Juventude (NUDIJ) da Defensoria Pública do Paraná, o manifestodas crianças será levado, nesta sexta-feira (18), ao governo do Estado, noPalácio das Araucárias.

A voz e a vez das crianças
O defensor público Marcelo Lucena Diniz, coordenador doNudij, destaca que o tema da Defensoriana área da infância, em âmbito nacional, é: “A voz e a vez das crianças”. Aintenção é incentivar a participação infantil na construção de políticaspúblicas. O envolvimento reduzido é um descumprimento do Estatuto da Criança edo Adolescente (ECA), que completou 29 anos.
“É muito importante que a gente tenha essa participação eouça as crianças nas demandas que elas trazem [...]. Eu, de fato, fico muitofeliz, porque a gente não vê isso em todos os espaços”, avalia o promotor.
Além da entrega do manifesto à Alep e ao Governo do Estado,a programação do XIII Encontro das Crianças Sem Terrinha tem momentos sobre o ECA,apresentações artísticas, oficinas, brincadeiras, contação de história e visitaao Zoológico de Curitiba.