A seção do Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) abriu concurso de fotografia, promovido pela Comissão de Assuntos Culturais, voltado para advogados e funcionários, para registrarem a transformação tecnológica que redefine o cotidiano jurídico. O concurso, no entanto, permite que “fotografias” criadas por inteligência artificial sejam inscritas, o que gerou reação da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc).
Segundo a OAB-PR “os participantes podem inscrever fotografias tradicionais, imagens geradas por inteligência artificial ou obras híbridas, que combinem fotografia e recursos de IA. No caso de imagens geradas por IA, é obrigatório o envio do prompt utilizado e a indicação da plataforma adotada. Cada participante pode inscrever até uma imagem por categoria”.
IA
O Plural ouviu o presidente da OAB-PR, Luiz Fernando Pereira, sobre a utilização de inteligência artificial no âmbito jurídico. “esclarecemos que a inteligência artificial não substitui a atuação do advogado, mas representa uma modernização que deve contribuir para uma sociedade mais justa e plural. Por isso, a OAB-PR esclarece que o uso de ferramentas de IA generativa na advocacia é permitido, desde que rigidamente balizado pelo Código de Ética e pela Recomendação nº 01/2024 do Conselho Federal da OAB”, disse, em nota, o presidente.
Já sobre a adoção de IA para o concurso de fotografia, a OAB-PR destacou que “o certame não se propõe a ser um prêmio de fotojornalismo profissional ou de fotografia técnica comercial”.

A nota destaca ainda que “trata-se de uma atividade cultural recreativa voltada estritamente aos seus inscritos (advogados) e colaboradores, visando estimular a expressão artística sobre o cotidiano da própria profissão” e que “a instituição reforça que a abertura cultural serve como um laboratório de reflexão sobre os novos tempos, sem qualquer intenção de desvalorizar o mercado ou o ofício dos fotógrafos profissionais”.
Já a Arfoc, explicou, em nota, que imagens geradas por IA não têm a mesma linguagem da fotografia. “Colocá-las em uma única categoria desvaloriza sua identidade e fragiliza os critérios de avaliação de um concurso fotográfico”, diz a entidade. A associação também destacou que “em um momento em que algoritmos podem gerar praticamente qualquer imagem, preservar o espaço da fotografia é continuar valorizando o olhar humano e seu papel na documentação da nossa história”.
Sobre isso, a OAB-PR esclareceu que o edital “foi desenhado não apenas para registrar a rotina dos escritórios, mas para servir como um laboratório de expressão artística. Contudo, o regulamento não confunde a fotografia tradicional com a imagem gerada por inteligência artificial” e que “embora o título histórico do concurso preserve o termo "Fotografia", a instituição foi além e incluiu novas formas de expressão visual, razão pela qual o texto do edital refere-se amplamente a imagens”.
