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Como funciona o Letterboxd, um aplicativo para quem curte cinema

Newsletter exclusiva para assinantes indica também o filme “Presença”, quatro peças do Festival de Curitiba e o show dos Hermanos Gutiérrez

Como funciona o Letterboxd, um aplicativo para quem curte cinema
Photo by Krists Luhaers / Unsplash
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Por indicação de amigos cinéfilos (ou “cinemeiros”, como preferia Carlos Drummond de Andrade), experimentei baixar o aplicativo Letterboxd no meu celular. 

O app funciona como uma espécie de diário em que você pode registrar os filmes que vê com data, avaliação e resenha — mas nenhum desses itens é obrigatório, se não quiser preenchê-los. (Se preferir, pode acessar o site.)

Um dos meus amigos, por exemplo, gosta só de registrar os filmes vistos. Outro se esforça para escrever resenhas de uma frase, que são divertidas de ler.

Um terceiro é criterioso nas avaliações, usando de uma a cinco estrelas. E por criterioso, quero dizer chato. Como um daqueles professores carrascos que nunca dão dez, meu amigo nunca dá cinco estrelas. Para os seus padrões, um filme cinco estrelas ainda está para ser feito e absolutamente ninguém atingiu esse nível de excelência até o momento.

Depois de usar o aplicativo por alguns meses, descobri que ele é bom para pesquisar filmes, cineastas e elenco. E para ver o que as pessoas dizem de filmes antigos e dos que estão estreando agora. 

Um bônus, ao menos para mim, é poder acompanhar comentários de cineastas como Kleber Mendonça Filho (diretor de “Bacurau”) e Paul Schrader (o roteirista de “Taxi Driver”). 

Falando sobre “Um completo desconhecido”, Schrader escreveu: “Amei o filme. E digo isso como alguém que conheceu Dylan e a época em que o filme se passa”. É uma experiência diferente ver um cara desses comentando as coisas a que assiste. E digo isso como alguém que não conheceu Dylan e não gostou do filme.

Fui conferir meu diário no Letterboxd: vi 11 filmes em março. O melhor foi “O Brutalista” (quatro estrelas) e o pior foi “Mickey 17” (duas estrelas).

Como quase tudo nesse mundo, Letterboxd também é uma rede social, mas você pode ignorar esse aspecto do serviço sem nenhuma dificuldade. 

Vamos às novidades da semana.

No cinema: “Presença”

Gosto do diretor Steven Soderbergh até quando faz filme ruim, o que é exatamente o caso desse “Presença”, que estreia no Cine Passeio e em várias outras salas nesta quinta-feira (3). 

Na verdade, não é que o filme seja ruim, ele fala de uma casa mal-assombrada e sou eu que tenho dificuldade de embarcar nesse tipo de história. Ainda assim, dá para ver que “Presença” é muito melhor do que a maioria dos filmes do gênero. Não só por causa do que Soderbergh faz com a câmera, mas pelo bom roteiro de David Koepp. Os dois trabalharam juntos em “Código Preto”, que ainda está em cartaz nos cinemas. (Fato curioso: além de experimentar com gêneros diferentes do cinema e se dar bem na maioria deles, Soderbergh faz filmes a rodo.)

No palco

O Festival de Curitiba está rolando na cidade e recomendo muito a cobertura da Luciana Nogueira Melo, no Plural. Ela entende bastante do assunto.

Já a minha relação com teatro é de um amador. No espírito do Festival, compartilho com vocês as quatro peças que vou ver:

1. “In on It”

Uma das coisas mais incríveis que vi na vida. Ela passou no Festival de Teatro de 2009 e está de volta neste ano com os mesmos atores, Emilio de Mello e Fernando Eiras. É o tipo de teatro que mais me interessa: com um bom texto e bons atores. Não é preciso muito mais do que isso. Não vou me aventurar a falar da peça, mas posso explicar que a expressão do título, in on it, é usada para indicar quando alguém “está por dentro do que está acontecendo”, ou “sabe das coisas”.

2. “O céu da língua”

Curto comédia e curto a língua portuguesa. Também curto o Gregório Duvivier. Como demorei para comprar o ingresso, vou me sentar no segundo balcão do Guaíra. Talvez não consiga ver a peça, mas estarei presente.

3. “Avesso do avesso”

Essa, escolhi meio no escuro. Acho que foi esse lance de dois atores se intercalando em vários papéis que me chamou atenção. Alguém me perguntou se eu tinha escolhido essa peça por causa da Heloísa Périssé. Respondi que não (e tive que dar um Google para conferir quem era Heloísa Périssé).

4. “Nebulosa de Baco” 

A companhia curitibana Stavis-Damaceno é espetacular. Quando alguém disser para você que não gosta de teatro, mande esse alguém ver uma peça de Rosana Stavis e Marcos Damaceno. Ele vai mudar de ideia.

Eu não quis nem ler a sinopse. Não preciso. 

(Das quatro peças que listei, só “Avesso do avesso” ainda tem ingressos disponíveis.)

Na Ópera de Arame

A essa altura, todo mundo que conhece os Hermanos Gutiérrez deve saber que eles vão se apresentar em Curitiba na semana que vem. O show será na sexta (11), na Ópera de Arame. 

Alejandro e Estevan Gutiérrez são suíços, mas filhos de mãe equatoriana. A música que fazem, toda instrumental, é difícil de definir. Mas poderia ser usada como trilha sonora para um filme de viagem pelo deserto.  

Se você ouvir muito Hermanos Gutiérrez, corre o risco de entrar numa espécie de transe. Parece que as músicas não têm fim nem começo. Elas são introspectivas, envolventes e narrativas. Como se contassem uma história, mas com o fim em aberto. 

Para você ter uma ideia, confira a apresentação que eles fizeram no Tiny Desk Concert.

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