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Como foi a primeira semana da COP30 e o que esperar da segunda

COP tem sido marcada por chuvas amazônicas, calor, protestos dos povos originários, negociações importantes e contradições

Como foi a primeira semana da COP30 e o que esperar da segunda
Foto: Giovani Sella/Plural
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Do enviado especial, para o Plural e o Observatório de Justiça e Conservação

Belém – Historicamente, a Conferência das Partes (COP) se divide em dois momentos de discussões. O inicial, quando a agenda dos assuntos é escolhida e os diplomatas e representantes dos governos fazem as discussões iniciais e apresentam as intenções de seus países.

O segundo, que teve início neta segunda-feira, dia 17 de novembro, é quando os acordos ficam mais palpáveis. Os ministros dos países, que têm o real poder de negociação, chegam à Conferência para a elaboração dos textos finais. Na COP de Belém, que diz ser a Conferência que irá implementar ideias já discutidas em anos anteriores, essa segunda parte das negociações é essencial.

Até este momento, esta tem sido uma COP cheia de momentos inéditos e discussões importantes. A logística, que vinha sido colocada como um grande empecilho, se mostrou menos problemática para as negociações que os lobistas de combustíveis fósseis.

A alimentação e transporte não se mostraram um problema tão grande. Há opções de almoço por R$40, R$79 e R$89 e os ônibus elétricos e o aplicativo de rotas disponibilizado pela organização funcionam bem.

Até agora, os principais acontecimentos da semana foram:

Dia 1 – 10/11

No primeiro dia da COP30, André Corrêa do Lago foi eleito presidente da Conferência e, em seu discurso, citou, entre outros desastres recentes, o tornado em Rio Bonito do Iguaçu. Esse dia foi focado em discussões sobre transformação digital justa, equipando os países em desenvolvimento com dados, ferramentas e treinamento para projetar suas próprias soluções climáticas. A iniciativa chamada AI Climate Institute — uma iniciativa global que visa capacitar pessoas e instituições em países em desenvolvimento para utilizar a inteligência artificial (IA) em ações climáticas — foi lançada na conferência nesse dia.

André Corrêa do Lago. Foto: Giovani Sell/Plural

Dia 2 – 11/11

As discussões do segundo dia contemplaram a importância e a atuação dos governos subnacionais – estados e municípios – no combate à emergência climática. Na Plenária Ministerial Global Mutirão, presidida pelo Brasil e com ministros e prefeitos de mais de 80 países, foi notória a ausência de estados e cidades brasileiras, que não aproveitaram a oportunidade de o maior encontro sobre clima do mundo estar sendo realizado em território nacional.

Esse dia também foi marcado por um evento fora da agenda: a invasão indígena à Blue Zone, ação que colocou o mundo para observar como os indígenas brasileiros estão se sentindo com a COP30 na Amazônia.

Dia 3 – 12/11

O terceiro dia da COP30 foi sobre pessoas, uma reafirmação de que o capital humano, as habilidades e o patrimônio cultural estão no centro da transição climática. Capacitar e preparar pessoas foi o foco das discussões. Outro ponto importante abordado foi a integridade das informações sobre meio ambiente e clima, ou seja, debates sobre como combater informações falsas.

Dia 4 – 13/11

No quarto dia, discutiu-se sobre saúde. A adoção do Plano de Ação de Belém para a Saúde (BHAP) – um compromisso global para construir sistemas de saúde resilientes ao clima, fundamentados em equidade, justiça e cooperação – foi o principal acontecimento do dia.

Desenvolvido sob liderança do Brasil com a Organização Mundial da Saúde, o BHAP é um marco na interseção entre saúde e clima, ampliando a resiliência por meio de sistemas de vigilância mais robustos, fortalecimento de capacidades, inovação e formulação de políticas baseadas em evidências. Para apoiar sua implementação, organizações filantrópicas prometeram USD 300 milhões a partir da Coalizão de Financiadores de Clima e Saúde.

Dia 5 – 14/11

Foto: Giovani Sell/Plural

A sexta-feira começou agitada, com um movimento indígena impedindo a entrada das partes na Blue Zone, como o jornal Plural contou nesta matéria. Assim que a entrada da COP foi liberada, as negociações continuaram.

A COP, apesar de ser um encontro sobre clima, precisa tratar diretamente com os segmentos que mais poluem no mundo, como é o caso das indústrias. A industrialização verde foi o tema principal desse dia. O mercado apresentou propostas de transferência de tecnologia e cadeias de suprimentos sustentáveis, ou seja, não basta a indústria final não poluir; ela deve se comprometer a cobrar seus fornecedores para que não poluam também.

Além disso, a indústria apresentou compromissos sobre transporte marítimo baseado em metanol e um esforço regional para destravar a produção de combustível de aviação sustentável em toda a América Latina e quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 — uma meta complexa de ser executada, mas pouco ambiciosa.

Dia 6 – 15/11

Na manhã do sexto dia, a marcha pelo clima reuniu uma quantidade impressionante de povos, movimentos e organizações pelas ruas de Belém. O esquema de segurança foi reforçado pela equipe da COP, mas nenhum conflito foi registrado.

Nesse dia, a conferência destacou que uma transição climática mais justa e mais rápida depende do alinhamento entre sistemas financeiros, fundamentos éticos e cooperação global. Apesar de entraves, muita expectativa foi gerada para a semana seguinte.

O último dia da semana terminou, e era possível perceber o cansaço nos olhos dos jornalistas, das partes e, principalmente, do presidente Corrêa.

Foto: Giovani Sell/Plural

Continue acompanhando a cobertura do Plural + Observatório de Justiça e Conservação, que segue apurando e presente na COP30.

Giovani Sella

Giovani Sella

Fotógrafo, cinegrafista e estudante de Jornalismo na UFPR. Atua em um grupo de pesquisa sobre financiamento do jornalismo e se dedica ao audiovisual, ao jornalismo de dados e ao investigativo.

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