Logo após serem despejadas pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (30), as famílias que moravam na ocupação Francisco Bernardo, na rua Dr. Faivre, chegaram a montar acampamento na frente da Superintendência de Patrimônio da União (SPU). Sem ter para onde ir, elas reivindicam diálogo na esfera Federal e Municipal para uma alternativa de moradia após despejo. O acampamento foi desfeito na manhã desta quarta (1).


Queila Caroline de Souza, ex-moradora da ocupação Francisco Bernardo contou ao Plural a intenção do acampamento montado.
A gente já não tem mais onde morar. Então, a ordem de despejo veio daqui, do Governo Federal. Mas a moradia, quem vai dar pra gente é o prefeito.[...] Montamos o nosso acampamento, vamos ficar aqui até alguém se prontificar e dar uma resposta pra gente.”
Reintegração de posse
As famílias foram obrigadas a deixar o prédio em poucas horas. A ação de reintegração iniciou-se por volta das 6h e contou com um grande número de policiais, alguns deles armados. Segundo relatos das famílias, as crianças que estavam no prédio no horário da desocupação ficaram assustadas e com medo.
“Isso que mais me chocou, sabe? Porque são crianças que estavam lutando com a gente por moradia. Olha onde nós chegamos, que as crianças têm que se preocupar onde eles vão morar.” Conta Queila Caroline
Após a saída de todos os ocupantes do prédio, a porta do local foi selada com tijolos e cimento. Muitos dos móveis, itens pessoais e pertences das famílias não puderam ser retirados a tempo e ficaram dentro do prédio após o fechamento do acesso a ele.



A ocupação existia desde janeiro de 2026 e era residência de mais de 50 famílias. O prédio é do Governo Federal, mas estava cedido para a prefeitura de Curitiba. Além desse último mandado de reintegração de posse que autorizou a ação policial, outros três já haviam sido expedidos, mas suspensos ou revertidos pelos advogados do Movimento de Luta nos Bairros e Favelas (MLB), que organiza a ocupação.