A Câmara de Curitiba dá posse nesta quarta-feira (1) à legislatura mais radicalizada desde a redemocratização do país. A negociação com o Legislativo aparentemente será mais difícil do que em outros períodos e exigirá que o prefeito eleito, Eduardo Pimentel (PSD), tenha jogo de cintura.
As eleições de 2024 foram marcadas na cidade pelo surgimento de candidatos novatos que defendem causas associadas à extrema direita. Vários dos novos nomes surgiram como sucesso na internet, como comentaristas da vida política do país a partir do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Vereadores que tinham uma postura mais centrada acabaram não conseguindo a reeleição neste ano e sendo substituídos pelos radicais. Outra tendência foi a troca dos representantes da bancada evangélica, que nitidamente perderam espaço para os youtubers.
Antes do início dos trabalhos é difícil saber qual tipo de relação os novos vereadores terão com a Prefeitura. Em geral, nos mandatos anteriores, a formação de uma maioria na Câmara passava pela entrega de cargos (especialmente nas ruas da cidadania) e pelo pagamento de emendas a obras em bairros.
Os novos vereadores, no entanto, muitas vezes não se veem como representantes de um bairro ou de uma região da cidade - para eles, parece mais importante estarem na berlinda apresentando projetos que tenham repercussão na imprensa e nas redes sociais.
Quem será responsável por fazer esse meio de campo entre o prefeito e os vereadores é Marcelo Fachinello. Radialista por profissão, Fachinello se elegeu para o primeiro mandato em 2020 e acabou presidente da Câmara, eleito em 2023.
Agora, como secretário de Governo, terá de entregar uma maioria sólida a Eduardo Pimentel. Em tese, só não será possível contar com os vereadores mais à esquerda, como os três do PT, os dois do PDT e as vereadoras de PSOL e PSB.
É provável que a Câmara acbe submissa ao prefeito como sempre acontece. Mas descobrir os interesses e os limites da negociação com a nova bancada exigirá tato e algum tempo.