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Um em cada três adolescentes relata tristeza frequente, aponta pesquisa do IBGE

Pesquisa nacional mostra avanço do sofrimento emocional entre estudantes de 13 a 17 anos, com relatos de tristeza, autoagressão e falta de apoio nas escolas

Um em cada três adolescentes relata tristeza frequente, aponta pesquisa do IBGE
Foto: Andrew Neel / Unsplash

Três em cada dez estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos afirmam sentir tristeza sempre ou na maior parte do tempo. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e revela um quadro persistente de sofrimento emocional entre adolescentes.

O levantamento ouviu 118.099 estudantes de 4.167 escolas públicas e privadas em todo o país em 2024. Além da tristeza recorrente, uma proporção semelhante dos jovens relatou já ter sentido vontade de se machucar de propósito.

Irritabilidade, desesperança e sensação de abandono

Os dados indicam que o problema vai além da tristeza. Segundo a pesquisa:

A relação com a família também aparece como fator relevante: pouco mais de um terço dos estudantes acredita que pais ou responsáveis não compreendem seus problemas, e 20% relatam ter sofrido agressão física dentro de casa no último ano.

Falta de suporte nas escolas

Apesar da gravidade do cenário, o acesso a apoio psicológico ainda é limitado. Menos da metade dos alunos frequenta escolas que oferecem algum tipo de suporte em saúde mental.

A presença de profissionais especializados é ainda menor: apenas 34,1% dos estudantes estão em escolas com psicólogos ou equipes de saúde mental.

Meninas apresentam indicadores mais graves

Em todos os indicadores analisados, as meninas apresentam níveis mais elevados de sofrimento emocional:

A diferença também aparece na percepção de apoio e compreensão familiar, além da sensação de abandono.

Autoagressão e bullying

A pesquisa estima que cerca de 100 mil estudantes tiveram lesões autoprovocadas nos 12 meses anteriores ao levantamento — o equivalente a 4,7% dos jovens que sofreram algum tipo de acidente ou lesão.

Entre esses adolescentes, os indicadores são ainda mais críticos:

As meninas também concentram maior proporção de autoagressões: 6,8%, contra 3% entre os meninos.

Imagem corporal em queda

A satisfação com o próprio corpo também piorou desde a edição anterior da pesquisa, em 2019. O índice caiu de 66,5% para 58%.

Entre as meninas, mais de um terço se declara insatisfeita com a aparência. Embora 21% se considerem gordas ou muito gordas, 31% dizem estar tentando perder peso — proporção significativamente maior do que entre os meninos.

Onde buscar ajuda

Especialistas e o Ministério da Saúde reforçam a importância de procurar apoio diante de sinais de sofrimento emocional. Conversar com pessoas de confiança e buscar atendimento profissional pode ser decisivo.

Serviços disponíveis incluem:

O CVV oferece apoio emocional sigiloso por telefone, chat e e-mail para pessoas em sofrimento ou com pensamentos suicidas.

Com informações de Tâmara Freire, Agência Brasil

Tags: Saúde Brasil

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