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Transporte coletivo perdeu 63% dos passageiros e continua encolhendo

Rede de Transporte encolhe e fica mais cara, mostram novos demonstrativos de custo do sistema publicados pela URBS

Transporte coletivo perdeu 63% dos passageiros e continua encolhendo
Foto: Tami Taketani/Plural
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Depois de quase um ano sem publicar os demonstrativos do cálculo da tarifa do transporte coletivo, a URBS tornou públicos na última terça, dia 24, as tabelas de cálculos dos meses de dezembro de 2024, e janeiro e fevereiro de 2025. Os dados usados no cálculo do valor pago às empresas concessionárias por passageiro mostram que nos dois primeiros meses do ano o sistema continua a manter a tendência de perda de público.

Em janeiro e fevereiro a Rede Integrada de Transporte (RIT) perdeu cerca de 528 mil passageiros ou 264 mil em média, por mês. Desde 2010, quando o contrato atual com as empresas concessionárias entrou em vigor, o sistema já perdeu 63% dos passageiros segundo dados da própria URBS. A RIT transportava, por mês, 26 milhões de passageiros por mês, em média, em 2010 e hoje transporta 9 milhões.

A perda de passageiros acontece apesar a medida da prefeitura de ofertar desconto aos domingos, o que aumentou em 14% o número de passageiros no dia do desconto. Foi a primeira medida anunciada pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD) ao tomar posse.

Se mantida a tendência de perda de passageiros, a cidade pode terminar o ano com menos 3 milhões de passageiros. A redução no número de passageiros também aumenta o déficit do sistema, porque o cálculo da tarifa é feito com base no custo por quilômetro rodado, que se mantém o mesmo desde o ano passado.

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Apesar da perda de passageiros, a Prefeitura pressionou pela aprovação de dois empréstimos no total de R$ 1 bilhão para comprar ônibus elétricos para a RIT. A cidade já acumula, em 2025, um déficit de R$ 130 milhões no sistema porque a arrecadação não paga o custo do serviço. Com os empréstimos, o custo deve aumentar ainda mais. O próprio parecer técnico das operações recomenda que a Prefeitura arranje outras fontes de receita para subsidiar o serviço.

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Como a compra dos ônibus elétricos não irá alterar uma parte significativa da frota, nem contribuir para aumentar a velocidade do transporte (dois fatores importantes na decisão do passageiro de usar ou não o sistema), é improvável que ela tenha qualquer impacto na redução do custo.

Apesar do comprometimento financeiro que os empréstimos representam, a Câmara aprovou as operações sem grandes discussões. O impacto financeiro, porém, ficará para os próximos prefeitos.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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