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Trabalhador troca renda de até R$ 7,5 mil para escapar da escala 6x1 na hotelaria de Foz

Sindicato afirma que profissionais estão deixando hotéis e restaurantes para recuperar convivência familiar, mesmo com salários acima da média nacional

Trabalhador troca renda de até R$ 7,5 mil para escapar da escala 6x1 na hotelaria de Foz
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A crise de mão de obra na hotelaria e no turismo de Foz do Iguaçu não pode ser explicada apenas por salário baixo. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Foz do Iguaçu (STTHFI), profissionais têm abandonado funções em hotéis e restaurantes para escapar da escala 6x1, mesmo em casos de remuneração considerada alta para os padrões nacionais do setor.

A avaliação é do presidente do sindicato, Vilson Osmar Martins, que participará nesta segunda-feira (18), em Foz do Iguaçu, do seminário promovido pela comissão especial da Câmara dos Deputados criada para discutir, junto ao governo federal, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1 sem redução salarial.

“Temos caso de uma trabalhadora de hotel que recebia R$ 7,5 mil por mês e pediu para sair para ganhar R$ 4 mil em outra atividade porque queria voltar a ter final de semana em casa com a família”, afirmou.

O caso expõe uma mudança no mercado de trabalho do turismo em Foz. O crescimento da ocupação hoteleira e da atividade econômica não tem sido suficiente para conter a dificuldade de contratação e retenção.

Segundo Vilson, a jornada considerada exaustiva passou a pesar mais na permanência dos profissionais do que a própria remuneração.

“O trabalhador não aceita mais viver em uma rotina de finais de semana, feriados e escala contínua. Isso virou um dos principais fatores de rejeição ao setor”, disse.

A avaliação contrasta com parte do discurso empresarial que associa a escassez de mão de obra principalmente à informalidade da fronteira, aos benefícios sociais e à mudança de comportamento dos trabalhadores.

O STTHFI reconhece que o trabalho informal disponível na região se tornou alternativa economicamente atrativa para parte da categoria, mas sustenta que o centro do problema está no modelo operacional da hotelaria e da gastronomia.

“Não é somente o salário que afasta o trabalhador. A escala 6x1 pesa muito”, destaca Vilson.

Hoje, segundo o sindicato, o piso salarial da hotelaria em Foz está em R$ 2.190, valor que a entidade afirma estar entre os maiores do país para o setor. O STTHFI também pontua que a cobrança de taxa de serviço em hotéis e restaurantes pode acrescentar entre R$ 1 mil e R$ 4,5 mil à renda mensal dos funcionários.

Mais emprego, mais MEI e alta do seguro-desemprego

Dados analisados pela reportagem mostram que o número de vínculos formais em Foz do Iguaçu passou de 65,3 mil em 2023 para 71 mil em março de 2026, aumento de cerca de 5,7 mil postos formais. No mesmo intervalo, o número de microempreendedores individuais (MEIs) saltou de 29,7 mil para 35,1 mil.

Ao mesmo tempo, os pagamentos de seguro-desemprego cresceram 19,7% no município, passando de R$ 69,2 milhões em 2023 para R$ 82,8 milhões em 2025. Já o Bolsa Família recuou 11,8%, passando de 22,9 mil para 20,2 mil famílias atendidas.

Os indicadores mostram que o aquecimento do turismo e dos serviços ocorreu paralelamente ao avanço do trabalho autônomo, da rotatividade e da dificuldade de retenção justamente nos setores que lideram a recuperação econômica da cidade.

A hotelaria de Foz registrou média de ocupação de 73,43% em abril de 2026, com picos de 93% em feriados prolongados, segundo dados do setor. Ainda assim, o segmento relata dificuldade para preencher vagas em áreas como recepção, governança, cozinha, camareiras, atendimento e serviços gerais.

A proposta de redução da jornada tramita em comissão especial da Câmara dos Deputados e conta com acordo político já anunciado pelo presidente da Casa, Hugo Motta, e pelo governo federal, que trabalham para votar a matéria até o fim de maio.

Em Foz, o seminário desta segunda-feira reunirá deputados federais, centrais sindicais e representantes dos trabalhadores. Entidades patronais não participam do evento.

Para Vilson Osmar Martins, porém, a redução para 40 horas semanais seria apenas o início da discussão.

“A hotelaria vai precisar discutir também salário, escala e qualidade de vida. O trabalhador se acostumou a passar finais de semana com a família e não quer mais voltar para uma rotina permanente de trabalho em feriados e fins de semana”, afirmou.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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