A ocorrência de temperaturas extremas tanto no calor quanto no frio causaram aumento na mortalidade de crianças de zero a cinco anos no Brasil. Esta é a conclusão de uma pesquisa publicada na revista Environmental Research. O estudo é de autoria de onze pesquisadores brasileiros que analisaram 1.061.229 mortes de crianças com menos de cinco anos em 5570 cidades brasileiras entre 2000 e 2019.
A conclusão do estudo é de que é urgente que sejam realizadas intervenções direcionadas para mitigar o impacto de temperaturas extremas na saúde de crianças brasileiras.
A pesquisa concluiu que o risco de mortalidade foi 1,95 maior (com intervalo de confiança de 95%) no extremo frio e 1,29 vezes maior no extremo calor. Crianças recém nascidas tiveram maior mortalidade em eventos de temperaturas extremas no frio, enquanto a mortalidade de crianças de 1 a 4 anos foi maior no extremo calor.
A equipe de pesquisadores cruzou dados de temperaturas em todo país com as informações de mortalidade do Ministério da Saúde. As informações mostraram que a mortalidade infantil no extremo frio aumentou principalmente por causa de doenças infecciosas e respiratórias, enquanto no calor, eventos de temperatura extrema foram relacionados a mortes causadas por diarreia, infecções e doenças respiratórias.
A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a organização Wellcome Trust. A equipe de pesquisadores inclui Ismael H. de Silveira, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, Poliana Rebouças, da Fundação Osvaldo Cruz, Juliana Pescarini, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, Taísa R. Cortes,da Fundação Osvaldo Criz e Otávio T. Ranzani, do ISGlobal.