Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) culminou na demissão de servidor Wilton Correia Paz. O PAD identificou que ele invadiu o sistema interno de internet, mas o trabalhador, conhecido como Will, alega perseguição.
O servidor trabalhava na UEPG desde 1997, e no departamento de Jornalismo, desde 2023, período anterior aos fatos. Ele foi desligado porque houve uma denúncia de acesso à folha de pagamento da instituição para denunciar um suposto caso de ‘rachadinha’, que se relacionava com a campanha à reitoria. Will, todavia, alega que o PAD foi instaurado como forma de retaliação em virtude do processo eleitoral da instituição.
Ao Plural ele explicou que o atual reitor, Miguel Sanches Neto, foi seu chefe imediato entre 2008 e 2012, e em 2018 começaram alguns desentendimentos e o servidor foi mudado de setor. No mesmo ano, o servidor fez uma denúncia ao Ministério Público relatando “perseguição”.
Em 2019, Will pediu licença para cursar o mestrado e, de acordo com ele, para ser liberado, precisou revelar problemas de saúde de cunho particular para que, somente aí, tivesse a redução de carga-horária.
Neste ínterim, Will apoiou outro grupo nas eleições e usou suas credenciais para acessar dados relativos aos pagamentos e veiculou isso em suas redes sociais. Para a Justiça, isso não era caso de demissão, mas o servidor recebeu multa de dois salários-mínimos e 80 dias de serviço comunitário.

No entanto, o PAD que tramitou na UEGP levou o Conselho Universitário a definir, por maioria, a demissão do servidor. Will apresentará recurso contra a decisão.
Em nota, a UEPG explicou que em 2022 recebeu a denúncia da invasão do sistema interno. “Núcleo de Tecnologia da Informação identificou tecnicamente a autoria e realizou a denúncia, na forma exigida por lei. Foi nomeada comissão para condução do processo administrativo, instaurado em conformidade com a legislação vigente. Durante os três anos de tramitação do processo, houve oportunidade de produção de provas e oitiva de testemunhas, observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Durante o trâmite, o denunciado foi representado por advogado constituído por ele. Após a decisão da comissão de processo administrativo disciplinar (PAD), sugerindo a penalidade de demissão, houve recurso ao Conselho Universitário”, diz o texto.
Para a instituição, durante os três anos de tramitação do processo, “houve oportunidade de produção de provas e oitiva de testemunhas, observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. Durante o trâmite, o denunciado foi representado por advogado constituído por ele. Após a decisão da comissão de processo administrativo disciplinar (PAD), sugerindo a penalidade de demissão, houve recurso ao Conselho Universitário. Em sessão pública do COU, o denunciado foi defendido pelos seus advogados. Por maioria, os conselheiros decidiram pela confirmação da decisão da comissão”.
Segundo a UEPG “Todas as decisões colegiadas são respeitadas pela alta administração da Universidade. Outros desligamentos de servidores de carreira seguem o mesmo trâmite”.
Agora, se mantida a sugestão de demissão, o processo segue ao governador Ratinho Jr. (PSD), que chancela ou não a decisão do Conselho.