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Ratinho Jr critica agressão a Perdigão, mas silencia sobre mortes cometidas pela PM

Ex-jogador foi agredido por policial após jogo do Paranaense; entre 2019 e 2024, forças de segurança mataram 2.371 pessoas no Paraná

Ratinho Jr critica agressão a Perdigão, mas silencia sobre mortes cometidas pela PM
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O governador Ratinho Jr (PSD) informou nesta terça-feira (20) em seus perfis nas redes sociais que determinou o afastamento do policial militar que agrediu o ex-jogador Perdigão no último domingo (18), após um jogo do Campeonato Paranaense na Vila Capanema, em Curitiba.

O vídeo, que mostra um policial agredindo Perdigão com um cassetete após o jogo entre São Joseense e Operário, ganhou vários compartilhamentos nas redes sociais. No vídeo, um policial bate em Perdigão e xinga o ex-jogador. "Vai embora, caralho! Tá achando que nós estamos de palhaçada aqui, filho da puta? Vá tomar no cu, vá embora", diz o agente, que em seguida dá um tapa na cabeça do ex-jogador.

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Em postagem nesta terça, Ratinho Jr disse que "a conduta revelada não representa o preparo nem os valores das forças de segurança do Paraná". "Não compactuamos com excessos e reforçamos que a polícia existe para proteger e respeitar o cidadão", afirmou.

A fala contrasta com silêncio adotado pelo governador em relação às mortes cometidas por policiais militares desde que ele assumiu o governo, em 2019. Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), as forças de segurança do Paraná (PM, Polícia Civil e guardas municipais) mataram 2.371 pessoas entre 2019 e 2024, a maioria delas em ocorrências descritas como situações de confronto.

Só em 2024, foram 413 mortes, um aumento de 20% em relação ao ano anterior – e a PM esteve envolvida em 97,7% dos casos descritos como confrontos. O MP-PR mudou a metodologia de acompanhamento desse tipo de ocorrência e ainda não divulgou os números do ano passado.

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Além de nunca terem questionado as ações policiais, Ratinho e o secretário da Segurança Pública, Hudson Teixeira, agiram para limitar as investigações. Em outubro do ano passado, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) publicou uma resolução que autoriza a Polícia Militar a investigar ações da própria corporação que resultam na morte de civis, independentemente de apuração pela Polícia Civil. A resolução elimina a possibilidade de prisão em flagrante de agentes e determina a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM).

Entre os deputados de extrema direita que apoiam Ratinho Jr na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), todos os mortos em ações da PM são tratados automaticamente como "bandidos" – independentemente das circunstâncias ou das investigações. Em outubro do ano passado, Ratinho disse que, no Paraná, "bandido vai conhecer o calor da bala". Em novembro, ofereceu ajuda ao governo do Rio de Janeiro, responsável por uma matança de que deixou mais de 120 pessoas mortas nos complexos da Penha e do Alemão.

Desta vez, a publicação do governador repercutiu mal até entre seus seguidores. "A conduta sempre foi essa, acontece que dessa vez eles erraram o RG", escreveu um deles. "Esse policial levou azar que o cara era um ex-jogador influente, se não ia ser apenas mais um que apanha de graça pela polícia e nada acontece", afirmou outro. Um internauta disse que esse tipo de ação violenta é comum. "Isso tem que ser com toda a população não só com ele porque é ex-jogador, despreparo em estádios de futebol no Paraná não é de hoje".

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Nota da Sesp

Em nota, a Sesp informou que instaurou um procedimento para apurar os fatos. Segue a nota:

A Polícia Militar do Paraná informa que já instaurou procedimento interno para apurar os fatos envolvendo o policial militar citado no episódio.

Assim que tomou conhecimento do caso, a Corregedoria da PMPR adotou as providências iniciais, determinou o afastamento imediato do policial militar para funções administrativas e encaminhou o servidor para avaliação psicológica.

A corporação ressalta que a conduta relatada não condiz com o preparo e com o trabalho das forças de segurança do Paraná.

A Federação Paranaense de Futebol também emitiu uma nota:

A Federação Paranaense de Futebol vem a público demonstrar apoio ao ex-jogador e comentarista Perdigão, após as agressões sofridas por ele no último domingo (18), quando ele deixava o estádio após assistir como torcedor a uma partida do Paranaense 2026. Assim que a FPF teve acesso às imagens, procurou o ex-jogador para prestar solidariedade e apoio. Desde o início da atual gestão, Perdigão participa regularmente como comentarista do programa De Primeira, no YouTube da Federação, sendo figura constante nas nossas redes sociais e construindo uma relação de respeito e amizade com todos. Acompanharemos os desdobramentos com a atenção necessária, certos de que futebol e violência não combinam.

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O que diz Perdigão

Em postagem nas redes sociais, Perdigão classificou a situação como "constrangedora e dolorosa". Ele relatou ter sido agredido por um policial "despreparado" e disse que vai tomar as medidas cabíveis. Segue a nota do ex-jogador:

Fala galera, velho Perdiga na área! Normalmente venho com noticias boas, mas hoje a situação é diferente.

Quero relatar uma situação extremamente constrangedora e dolorosa que vivi neste final de semana.

Neste domingo, dia 18/01, na saída do jogo entre São Joseense x Operário na Vila Capanema, fui covardemente agredido por um membro despreparado da Polícia Militar. É lamentável que uma atitude isolada como essa acabe manchando a imagem de uma instituição que deveria existir para proteger o cidadão.

Todos que me conhecem sabem que sou uma pessoa tranquila, bem-quista e que gosta de interagir com as pessoas. Naquele momento, me aproximei de um policial apenas para cumprimentá-lo, parabenizar pelo serviço e desejar boa noite. Não sei se houve algum mal-entendido, mas, de forma repentina e sem qualquer justificativa, ele veio em minha direção me agredindo com um cassetete.

Em todo momento tentei apaziguar a situação, me afastando e demonstrando que não havia qualquer intenção de confronto. Não fui violento, não fui rude e não reagi à agressão. Ainda assim, a violência aconteceu de forma totalmente gratuita e injustificável.

Reforço que, como cidadão, temos direitos que precisam ser respeitados. Violência, especialmente vinda de quem tem o dever de zelar pela nossa segurança, é inadmissível.

Informo que todas as medidas cabíveis já estão sendo tomadas, e espero sinceramente que o responsável seja devidamente responsabilizado.

Agradeço de coração todas as mensagens de apoio e solidariedade que venho recebendo. Apesar de tudo, me encontro bem!

Que Deus abençoe a todos.

Perdigão é curitibano e tem 48 anos. Ele começou a carreira de jogador no Paraná Clube, em 1995, e teve passagens por Athletico (PR), Belenenses (Portugal), Londrina (PR), Joinville (SC), Marília (SP), Náutico (PE), Caxias (RS), 15 de Novembro (RS), Internacional (RS), Vasco da Gama (RJ), Corinthians (SP), São Caetano (SP), Mixto (MS), São José (PR) e Guarulhos (SP).

Foi bicampeão paranaense pelo Paraná Clube, em 1995 e 1996; bicampeão catarinense pelo Joinville, em 2000 e 2001; campeão da Copa Libertadores da América e mundial, pelo Internacional, em 2006; e campeão da Série B do Campeonato Brasileiro, pelo Corinthians, em 2008.

Perdigão com a taça de campeão mundial pelo Internacional, em 2006 (Reprodução/Facebook)

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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