O governador Ratinho Jr. (PSD) foi um dos menos incisivos membros da direita brasileira ao comentar a abertura de uma ação penal contra Jair Bolsonaro (PSD) por tentativa de Golpe de Estado. Apoiador do ex-presidente, Ratinho se resumiu a questionar o julgamento do tema na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
Em uma reunião de empresários em Pernambuco, Ratinho falou brevemente sobre o tema. “Acho que, por se tratar de um ex-presidente, o julgamento não poderia ser feito por uma Turma, mas pelo plenário”, disse o governador.
A fala foi muito mais tímida do que as declarações de outros governadores da direita. Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, foi às redes sociais dizer que Bolsonaro é inocente e que sua inocência será comprovada. “Siga contando comigo”, disse o governador paulista.
Claudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, se disse solidário a Bolsonaro e afirmou que o presidente sempre teve um compromisso com o povo brasileiro.
Também filiado ao PL de Bolsonaro, Jorginho Mello, de Santa Catarina, também assumiu a defesa do ex-presidente. “Não tenho medo de me posicionar ao lado dele, como sempre fiz. Bolsonaro é o maior líder de oposição no Brasil e merece estar nas urnas em 2026. Deixa o povo decidir”, disse no Twitter.
Aliados
A postura de Ratinho nos últimos dias indica que o governador, que se posiciona como pré-candidato à Presidência, pretende se distanciar de Bolsonaro, com quem manteve uma relação umbilical ao longo dos últimos anos.
Bolsonaro financiou diversos projetos de Ratinho por meio de Itaipu. Chegou a dizer que o diretor do lado brasileiro de de Itaipu, o general Silva e Luna, hoje prefeito de Foz do Iguaçu, era "o melhor secretário de Ratinho".
Alegando lealdade ao então presidente, Ratinho defendeu sua reeleição e, mesmo depois da derrota nas urnas, recebeu Bolsonaro no Paraná e discursou na entrega do seu título de cidadão honorário na Assembleia Legislativa.
Quando o ex-presidente foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, Ratinho também evitou a defesa do aliado. “É muito difícil fazer juízo de valor daquilo que apenas sai pela imprensa, que já é muito importante, não tenha dúvida. Mas eu acho que, por enquanto, não tem nada. Fica inalterado porque só terá uma conclusão lá na frente. Depois que tudo isso for analisado, o inquérito fechado e julgado pela Justiça”, afirmou ao Plural.