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Presidente do partido de Cristina Graeml foi condenado a três anos de prisão por crime tributário

Pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. Fabiano dos Santos diz que não está na presidência do PMB do Paraná, pois há uma disputa com o diretório nacional

Presidente do partido de Cristina Graeml foi condenado a três anos de prisão por crime tributário
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O presidente estadual do PMB no Paraná, Fabiano dos Santos, foi condenado em 2020 a três anos de prisão no regime aberto por falsificar documentos para a declaração de Imposto de Renda de um cliente. Santos, que é contabilista, teve a prisão substituída pela prestação de serviços à comunidade e multa no valor de R$ 15 mil. Ele diz que não está na presidência do partido no Paraná, pois a direção nacional interveio no diretório estadual quando foi lançada a candidatura de Cristina Graeml à prefeitura de Curitiba e o processo ainda não foi julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Fabiano dos Santos prestou informações falsas à Fazenda nas declarações referentes a seis anos, entre 2004 a 2009, “reduzindo assim o valor do imposto de renda devido pelo contribuinte”. Ele teria incluído “diversas despesas médicas, com instrução e previdência privada, ciente da inexistência da devida prestação da maior parte dos serviços”. De acordo com o MPF, ao ser intimado pela Receita Federal, o cliente não teria comprovado as despesas.

“A prática do delito foi realizada por 6 anos consecutivos, resultando em um crédito tributário de R$ 60.836,99 (incluindo juros de mora e multa), inscrito em dívida ativa em 5/6/2012”, afirma a ação. O cliente de Fabiano dos Santos, que também foi réu no processo, teria dito à polícia, durante a fase de inquérito, que “pagava para Fabiano um valor certo por cada nota fiscal e recibo mencionados como comprovantes de despesas em suas declarações de IR”.

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Segundo o cliente, Fabiano dos Santos teria dito que “possuía médicos e dentistas como clientes seus”, que precisavam apresentar recibos em suas declarações e que, como muitos desses recibos não chegavam a ser utilizados, poderiam ser declarados em seu nome como despesas dedutíveis. O presidente do PMB negou os fatos em depoimento à polícia. “Contudo, no inquérito policial (...) apurou-se que o denunciado é contumaz na prática do delito, pois inseriu deliberadamente despesas inexistentes nas declarações de inúmeros contribuintes”, sustentou o MPF na denúncia.

Na sentença da 12ª Vara Federal de Curitiba, a juíza Carolina Moura Lebbos afirmou que Santos “não agiu em prol do interesse público e descumpriu a legislação vigente, ao conscientemente prestar informações com declaração materialmente falsa, com quebra, ainda, da confiança depositada sobre ele por seus clientes”. Santos teria inserido 69 recibos de despesas médicas e de instrução "ciente da inexistência da devida prestação dos serviços".

A magistrada conclui que “restou o réu Fabiano dos Santos condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade de 03 (três) anos, 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão, em regime aberto, substituída por duas penas restritivas de direitos consistentes em prestação de serviços à comunidade por todo o período da pena e prestação pecuniária no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), bem como ao pagamento de 223 (duzentos e vinte e três) dias-multa, à razão de 1/10 (um décimo) do salário mínimo vigente à época dos fatos, além do pagamento de custas processuais”.

Outro lado

Fabiano dos Santos disse na tarde desta quarta-feira (17) ao Plural que a ação dizia respeito a seus clientes e que foi condenado por não ter entrado com um recurso, já que seu advogado morreu em 2020, vitimado pela covid. 

“Com relação a essa ação, não se refere a mim, e sim a clientes meus, que arrolaram o meu nome. Foi em 2020, o advogado que me defendia faleceu por conta da pandemia de Covid, ele tinha 30 anos de idade, e por conta do falecimento dele não foi feito o recurso. E no recurso que os outros fizeram, que eram os clientes de fato do Imposto de Renda, que tiveram a suposta vantagem financeira, foram inocentados. Como eu não fiz o recurso, acabei tendo a condenação, que foi cumprida em serviços à comunidade”, afirmou Fabiano dos Santos.

Ele negou que esteja na presidência do PMB, já que o diretório estadual foi destituído pela direção nacional do partido quando a legenda optou pela candidatura de Cristina Graeml. A candidata obteve uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para concorrer, mas o mérito ainda não foi julgado – o que poderá levar a mudanças no comando da sigla no estado. “Não sou presidente do PMB, a gente tem um litígio contra a nacional, então não sou o presidente do PMB no Paraná”, disse Santos. No site do partido, ele consta como presidente estadual.

Site do PMB mostra Fabiano dos Santos como presidente estadual do partido (Reprodução)
José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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