A convenção estadual do MDB, que será realizada no próximo domingo (2 de agosto), poderá oficializar o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca como vice na chapa de Sandro Alex (PSD), candidato ao governo apoiado pelo governador Ratinho Jr (PSD). Greca vem negando a possibilidade, mas as articulações dos últimos dias esvaziaram a candidatura do MDB ao governo.
Ratinho Jr e Greca se reuniram nesta semana e o governador teria feito novamente o convite para o ex-prefeito concorrer como vice. Até abril, Greca era um dos cotados para concorrer ao governo pelo PSD – os outros pré-candidatos eram o ex-secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Com a indefinição do governador, Curi migrou para o Republicanos (será candidato ao Senado) e Greca se filiou ao MDB.
Um dos articuladores que tem tentado atrair Greca é o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD). Caso o ex-prefeito não aceite o convite, existe a chance de o PSD lançar a jornalista Cristina Graeml (PSD) como vice de Sandro Alex, o que geraria atritos internos. Cristina foi adversária de Pimentel no segundo turno das eleições municipais de Curitiba em 2024 e chegou a chamar o então candidato de "retardado" em um dos debates.
Greca também foi sondado pela campanha de Sergio Moro (PL). A negociação para apoiar o ex-juiz da Lava Jato incluiria a Secretaria das Cidades e apoio nas eleições municipais de 2028 em Curitiba, quando Greca tentaria seu quarto mandato.
Sem apoios
Se mantiver a candidatura de Greca ao governo, o MDB terá que caminhar sozinho na eleição. Sandro Alex já tem atraiu para sua coligação o Republicanos, a federação União Progressista (União e PP) e a federação PSD-Cidadania, e também deverá ser apoiado pelo Avante. Do outro lado, Moro garantiu os apoios do Novo e do Podemos. Neste cenário, o MDB tende a ficar isolado, com poucos apoios e pouco tempo no horário eleitoral gratuito.
Outro fator é o ex-governador Alvaro Dias, que deixou o Podemos e voltou ao MDB em abril. Ele vem liderando as pesquisas de intenção de voto para o Senado, mas ainda não confirmou sua candidatura – Alvaro estaria receoso de disputar a eleição sem o apoio de outros partidos. Na coligação de Sandro Alex, haveria uma pressão do Republicanos para Alexandre Curi ser o único candidato ao Senado, a fim de não dividir votos.
A possível desistência de Alvaro Dias também entra na negociação – o apoio do PSD à candidatura do ex-senador ajudaria a trazer o MDB, mas poderia gerar um desgaste com o Republicanos de Alexandre Curi. A convenção do MDB será no domingo, a partir das 9 horas, na Sociedade Thalia, no Centro de Curitiba. No sábado (1º de agosto), a partir das 10 horas, no Espaço Torres, no Jardim Botânico.