A vereadora Paula Vicente (PT), de Londrina, foi alvo de ataques pessoais durante a sessão da Câmara Municipal de Vereadores na última quinta-feira (12). Ela classifica a situação como um episódio de violência política de gênero.
Tudo começou após a vereadora se posicionar contra a fala transfóbica de outro vereador sobre a deputada federal Érika Hilton (Psol), eleita presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Paula denunciou a transfobia, pediu respeito às mulheres e às pessoas trans na política.
“Eu gostaria de estar falando de um assunto de Londrina aqui agora. Eu gostaria de estar falando do Londrina ON, da falta de professores da rede pública, dos R$ 11 milhões do Governo do Estado que ainda não vieram para a Assistência Social, mas eu estou cansada de escutar nesse Plenário pessoas atacando a existência de seres humanos, incitando o ódio, incitando a violência contra as mulheres, como aconteceu aqui agora contra a deputada Érika Hilton”, declarou Paula.
Após o pronunciamento, a vereadora bolsonarista Jessicão (PP) se dirigiu a Paula utilizando expressões como “chata pra caramba”, "feminista maluca" e dizendo estar feliz pelo fato de ela estar prestes a deixar a Câmara. Paula ocupa vaga de suplente da atual deputada federal Lenir de Assis, que também foi alvo de ataques, sendo classificada - entre outras coisas - como “covarde”.
Em suas redes, Lenir reagiu ao ataque dizendo que "covardia é exatamente isso: incitar o ódio contra a diversidade, contra as pessoas, contra a população LGBTQIAP para gerar engajamento nas redes sociais".
Para Paula Vicente, “Não se trata de divergência política legítima. Trata-se de uma prática recorrente da extrema direita, que tenta substituir o debate de ideias por agressões, intimidação e ataques direcionados a mulheres que ousam enfrentar o discurso de ódio e a violência política por ela promovidos”.