O projeto de lei, de autoria da ex-vereadora Professora Josete e do vereador Angelo Vanhoni, é aprovado na Câmara um dia após os vereadores esvaziarem a sessão e não votarem o projeto. O texto aprovado reconhece a Sociedade Espiritualista e Instituição Religiosa de Umbanda Casa da Vó Toninha como instituição de utilidade pública e havia sido protocolado em setembro de 2024.
A votação desta quarta-feira (18) contou com 34 votos dos 38 vereadores em exercício em Curitiba. Foram 27 votos a favor, 2 contrários e 5 abstenções. A relação completa de votos você confere no final da reportagem. Acompanharam no plenário, diversos representantes da Casa da Vó Toninha.
A sessão do dia anterior foi aberta com quórum de 31 vereadores presentes; porém, após a discussão do projeto, o quórum caiu para apenas 19 vereadores, o que é insuficiente para a continuidade da sessão. Pelas redes sociais, as vereadoras Camila Gonda (PSB) e Professora Angela (PSOL) protestaram e tiveram grande repercussão.
“Coincidência? Não sabemos, mas é curioso como, quando se trata de reconhecer espaços das religiões de matriz africana, o plenário esvazia”, disse Professora Ângela.



O presidente da sessão, Tico Kozma (PSD), fez uma fala de esclarecimento após a votação. Ele afirma que “isso não é comum. A última vez que a sessão havia sido encerrada por falta de quórum foi em 2017”. “Não foi apenas ontem esse quórum com 22 ou 19. Nas votações da semana passada tivemos quórum de 20, 21 e 22 vereadores”, complementa.
Kozma também informou que, pela manhã, foi feita uma reunião com os líderes das bancadas para priorizar o plenário nos dias de sessão. “As visitas externas e outros atendimentos no gabinete devem ser exceção”, acrescentou.
Diversos vereadores questionaram a fala do presidente, ao argumentarem que o esvaziamento também se deu por vereadores que estavam na Casa, mas preferiram ficar no gabinete.
Justificativa dos votos
A discussão de que o esvaziamento da Câmara refletiria preconceito e racismo religioso foi trazida ao plenário pelas vereadoras Professora Angela (PSOL), Laís Leão (PDT), Giorgia Prates (PT), Vanda de Assis (PT) e Camilla Gonda (PSB). “O racismo religioso nunca vai ser frontal, porque é covarde e nunca vai dizer com todas as palavras aquilo que precisa dizer, porque é covarde”, disse Prates.
Eder Borges (PL) justificou o voto contrário pelo fato de o projeto ter sido proposto por vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Já Fernando Klinger (PL) justificou seu voto por não considerar que o terreiro presta “serviços relevantes”.
Guilherme Kilter (NOVO) se absteve em seu voto e retrucou a fala das vereadoras sobre racismo, alegando que outros projetos de cunho evangélico também contavam com ausências de vereadores da oposição. Kilter estava na Câmara, mas não no plenário. “Eu saí do plenário porque queria que aprovassem o projeto com unanimidade”, afirmou.
Pier Petruzziello (PT) e Carlise Kwiatkowski (PL), que tiveram votos favoráveis, classificaram o ocorrido do dia anterior como “falta de sorte”.
