O senador Sergio Moro deverá deixar o União Brasil nos próximos dias e assinar a ficha de filiação no PL para disputar o governo do Paraná neste ano. O convite foi feito pelo presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, tratado pelo próprio Moro como "condenado no Mensalão" em entrevistas depois de deixar o governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2021.
Na quarta-feira (18), após reunião com Costa Neto e lideranças estaduais do PL em Brasília, o pré-candidato do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro, chamou Moro de "amigo" e disse que apoiará sua candidatura ao governo. Também participaram os deputados federais Fernando Giacobo (presidente estadual) e Filipe Barros, pré-candidato ao Senado.
"Quem manda é o Valdemar"
Após deixar o Ministério da Justiça em maio de 2021, Sergio Moro afirmou entrevistas que quem mandava no governo de Jair Bolsonaro era Valdemar da Costa Neto. "Hoje, por exemplo, um dos caras que manda no governo é o Valdemar da Costa Neto, que é o cara que foi condenado por suborno no Mensalão, que era o cara que estava com o Lula. Então ele pegou os caras que estavam com o Lula e está tudo com ele hoje. Aí o cara vem falar que é contra a corrupção", criticou o ex-juiz da Lava Jato.
Valdemar Costa Neto foi condenado em 2012 a sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema que ficou conhecido como Mensalão. Ele cumpriu parte da pena em regime semiaberto e domiciliar e recebeu indulto em 2016. Em 2024, foi preso novamente, desta vez por posse ilegal de arma.
Interferência na PF e rachadinha
Ao deixar o governo, Moro disse que Jair Bolsonaro tentava interferir na Polícia Federal para impedir que seus filhos fossem investigados (ou "fodidos", como disse o então presidente). Pouco mais de um ano depois, anunciou apoio à reeleição de Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, que diz ter o senador como "amigo" e "alinhado" com o "projeto de país" do PL, também já foi alvo do ex-juiz da Lava Jato. Em 2021, Moro criticou o escândalo da rachadinha envolvendo Flávio quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. "A Justiça demanda que o fato seja apurado e as consequências sejam extraídas. Se a consequência for uma condenação criminal, é isso que tem que acontecer", disse Moro em entrevista à revista Veja.
Por meio de sua assessoria, Sergio Moro informou que não vai comentar suas declarações anteriores, nem o possível risco de Valdemar da Costa Neto vir a "mandar" em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.