Na sessão desta terça-feira (10) da Câmara Municipal de Curitiba vereadores discutiram a convocação do secretário de Defesa Social e Trânsito, Rafael Vianna, para explicar o afastamento de guardas municipais após uma prisão de acusado de tráfico de drogas que teve intervenção do vereador Da Costa do Perdeu Piá (Podemos). O requerimento foi derrubado pela liderança do Governo na Casa, que sugeriu adiamento por sete sessões e apresentou novo requerimento de convite ao secretário, que estará na Câmara no dia 24 de março, em sessão ordinária.
O pedido de convocação foi feito pelo próprio Da Costa, que também alegou ser vítima de espionagem pelo setor de inteligência da Guarda Municipal. A oposição votaria favorável ao requerimento, mas a articulação dos vereadores de situação sob a liderança de Serginho do Posto (PSD), para evitar o tensionamento de uma convocação, garantiu maioria para que Vianna vá à Câmara por vontade própria.
O atrito entre Da Costa, que é ex-policial militar, e Vianna, que é policial civil e chefia a Defesa Social, escalonou de a prisão de um homem por tráfico, no centro da cidade. Um vídeo divulgado no dia 1 de março nas redes sociais do parlamentar mostra ele “interrogando” o suspeito, enquanto dois guardas municipais fazem a prisão e a revista.

Vianna, por sua vez, entendeu que o comportamento dos guardas – que permitiram a interação do vereador com o suspeito, foi inadequada. “Quando você aborda alguém e manda essa pessoa para a parede, isso já é uma ocorrência policial. Isso significa que você tem de ter responsabilidade. Quando um paisano chega, faz uma ‘piadinha’, toma conta da ocorrência com o abordado e interfere na situação, ele contamina a cadeia de custódia, a cena do crime, coloca em risco a investigação, os agentes, a população e a própria pessoa que está interferindo na atuação policial”, criticou.
Depois da repercussão do vídeo, os guardas foram retirados do trabalho das ruas, por conta do “despreparo”. O Sindicato dos Guardas Municipais de Curitiba (Sigmug) disse que medidas administrativas devem ser utilizadas após orientações. “O sindicato entende que eventuais ajustes de procedimento devem ser tratados com orientação, e diálogo institucional, e não com medidas administrativas que possam gerar a percepção de punição a profissionais que estavam atuando no combate à criminalidade”, diz a nota publicada no site.
