A Direção Executiva do PT no Paraná decidiu por unanimidade suspender os direitos partidários do vereador Gilmar Lisboa, de Araucária, e abrir um procedimento disciplinar para expulsá-lo do partido. Lisboa é investigado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) sob suspeita de importunação e estupro de vulnerável. Ele nega as acusações e atribui a denúncia a questões políticas em meio ao possível processo de cassação do prefeito Gustavo Botogoski (PL), conhecido como Dr. Gustavo.
A vítima teria feito a denúncia na Delegacia da Mulher ao lado de uma representante do Conselho Tutelar. O caso foi encaminhado para o MPPR e o processo está em segredo de Justiça. O suspeito deverá ser ouvido neste mês na instrução do processo.
Em nota, a Secretaria e o Coletivo de Mulheres do PT-PR afirmaram que "não há espaço para neutralidade" em um caso como esse. "O repúdio da Secretaria de Mulheres é total e irrestrito. A gravidade dos relatos exige que o partido aja com o rigor que a situação impõe: com agressores não se dialoga, se rompe".
Nota de Gilmar Lisboa
Gilmar Lisboa publicou uma nota de sua defesa em seus perfis nas redes sociais. Ele afirma que o processo envolve questões familiares e que ainda não foi ouvido. Segundo Lisboa, a denúncia diz respeito a questões políticas.
"Estamos diante de um escândalo político na Prefeitura do município, do qual venho trabalhando de forma corajosa e enérgica contra a corrupção e eventual cassação do prefeito", diz a nota, que também é assinada pelo advogado Vitor Pereira Pacheco. Segue a nota:
Na data de ontem, 4 de março de 2026, foi noticiado pelo jornal O Popular Paraná, da cidade de Araucária, informações referentes a uma ação penal a que a minha pessoa responde. Diante da notícia, alguns esclarecimentos devem ser apresentados, porque sou inocente.
Faz-se necessário dizer que o processo criminal noticiado ainda está em fase tramitação, envolve questões familiares, e corre em segredo de justiça por decisão judicial. Eu, pessoalmente, não tive oportunidade de ser ouvido e esclarecer as imputações injustas que me foram apontadas, todas baseadas em meras alegações que carecem de prova, como pacientemente venho rebatendo.
É evidente que o material apresentado pela imprensa possui o interesse de prejudicar a minha atuação política na Câmara de Vereadores de Araucária. Estamos diante de um escândalo político na Prefeitura do município, do qual venho trabalhando de forma corajosa e enérgica contra a corrupção e eventual cassação do prefeito.
Nesse sentido, encaro que as notícias sobre ação penal que envolve situações da minha vida pessoal e familiar, vêm nesse momento, como uma tentativa covarde de calar o importante movimento que venho participando.
Ainda, nunca divulguei as questões que levaram ao processo que a notícia expõe por respeito à decisão judicial que decretou o segredo de justiça, por respeito a todas as pessoas envolvidas naquele processo, dentre eles familiares diretos, os quais não podem ser atingidos em razão de minha vida pública.
Por fim, reafirmo minha conduta ilibada e idônea, sempre destinada ao combate à corrupção e à proteção das minorias.
Encaro as manchetes como ofensa pessoal, levianas e ilegais, tendo em vista que desmerecem tudo o que acredito e destino na minha luta política.
Por fim, manifesto veementemente minha repulsa e indignação ao vazamento ilegal e irresponsável de informações sigilosas daquele processo, utilizando-as de forma deturpada da realidade. O referido vazamento já está sendo investigado e procurarei responsabilizar os envolvidos.
Gilmar Lisboa
Conhecido como Gilmar do Sindimont, Lisboa foi eleito vereador em 2024 com 1.625 votos. Ele foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Montagem, Manutenção e Prestação de Serviços do Paraná (Sindimont) e segue no mandato.
Crise política
A crise a que Gilmar Lisboa se refere é o processo envolvendo o prefeito da cidade da Região Metropolitana de Curitiba, Dr. Gustavo Botogoski. No dia 10 de fevereiro, a Câmara aprovou a criação de uma Comissão Processante, dando início ao processo de impeachment contra o prefeito, que teria autorizado indevidamente o pagamento de R$ 31 milhões para uma empresa de transporte coletivo que moveu uma ação contra a Prefeitura, mesmo sem a sentença ter transitado em julgado.
No último dia 24, a Câmara anulou a sessão do dia 10, depois que o vereador Ricardo Teixeira (Republicanos) argumentou que as 46 páginas da denúncia contra Dr. Gustavo deveriam ter sido lidas na sessão anterior. Nove dos 13 vereadores abandonaram a sessão, que ficou sem quórum e foi encerrada.

Na semana passada, a 1ª Vara da Fazenda Pública de Araucária negou o pedido liminar que pedia a suspensão da decisão do presidente da Câmara, Eduardo Castilhos (PL), que anulou a votação do dia 10. Gilmar Lisboa seria uma dos principais lideranças da Câmara a favor do impeachment do prefeito.
Nota do PT-PR
A Executiva do PT-PR emitiu na noite de quinta-feira (5 de fevereiro) uma nota sobre o caso de Gilmar Lisboa:
O Partido dos Trabalhadores do Paraná tomou conhecimento de uma investigação promovida pelo Ministério Público contra o vereador Gilmar Lisboa, do município de Araucária. Um processo penal que está em segredo de justiça.
Em consonância com os princípios e pautas que constituem nosso projeto político partidário, reafirmamos nossa firme atuação no combate à violência e violação sexual, assédio moral, pedofilia, violência doméstica e outras da mesma natureza. Isso está assegurado no Estatuto do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras.
O partido repudia veementemente qualquer tentativa de assédio e violência contra as mulheres e crianças. É parte da luta efetiva contra todas as formas de violência e assume a campanha nacional de combate ao feminicídio, ao machismo e misoginia, em um chamado a toda a sociedade e às instituições.
Não é possível tolerar qualquer desvio de conduta, especialmente por crime de Importunação Sexual e Estupro de vulnerável, fora ou dentro das fileiras partidárias.
Diante da gravidade do caso exposto, a Direção Executiva Estadual decide por unanimidade pela imediata suspensão dos direitos partidários e abertura do Procedimento Disciplinar com direcionamento para a expulsão do vereador.
Nota da Secretaria e Coletivo de Mulheres do PT-PR
A Secretaria e o Coletivo de Mulheres do PT-PR também divulgou uma nota na quinta-feira:
NOTA DE REPÚDIO
A Secretaria e o Coletivo de Mulheres do PT – PR manifesta seu mais profundo repúdio e indignação diante das graves denúncias de importunação sexual e estupro de vulnerável envolvendo o vereador de Araucária, Gilmar Lisboa.
Não há espaço para neutralidade. O repúdio da Secretaria de Mulheres é total e irrestrito. A gravidade dos relatos exige que o partido aja com o rigor que a situação impõe: com agressores não se dialoga, se rompe.
Trata-se de prática condenável e inaceitável, dentro e fora do PT. E nos espaços do nosso partido, nosso compromisso com a vida e a segurança das mulheres, é bandeira inegociável.
Foram e ainda são muitas as lutas para que as mulheres sejam respeitas, valorizadas e potencializadas nos espaços em que querem estar, com direito à vida em segurança e liberdade. Não toleramos a violência e, ao contrário, nós a combatemos todos os dias.
Sendo assim, é inaceitável nos quadros partidários e no espaço legislativo, a permanência de quem pratica a violência.
No Partido das Trabalhadoras, o respeito às mulheres e o enfrentamento à violência é coisa séria, é compromisso político e, por isso, exigimos a imediata expulsão do vereador, bem como seu afastamento do mandato parlamentar que deve ser garantido ao PT
O espaço legislativo é espaço para a construção de políticas públicas em defesa das mulheres. O PT é espaço de formação e atuação política comprometida com a luta das mulheres.
Somos um Partido Feminista e não aceitamos em nossos quadros, quem foge à luta e pratica violência contra as mulheres!
Secretaria e Coletivo de Mulheres do PT Paraná
05 de março de 2026
