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Por favor, não tirem o Abraham Weintraub do MEC

Achávamos que não haveria nada abaixo de Vélez. Ele caiu, e olha o que conseguimos

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A jornalista Erica Busnardo resumiu bem a situação do MEC. Trocaram um idiota por um idiota com iniciativa. Em seu primeiro mês como titular do MEC, Abraham Weintraub não parece ter dado uma dentro. Nisso, é igual ao antecessor, Vélez Rodrigues. A diferença é que Vélez tinha um ar mais apatetado: causava um instinto de pena. Weintraub é do tipo agressivo: seus erros custam caro. Vélez nos chamou de canibais, verdade. Mas, vejam bem, não tinha colocado em risco a existência do ensino superior público do país, coisa que Weitraub conseguiu em apenas três semanas de MEC. Os planos maquiavélicos de Vélez se parecem com o daqueles vilões frustrados de histórias em quadrinhos, que acham que estão sendo terríveis quando na verdade estão sendo só irritantes. "Cantem o hino nacional", pedia ele. "Digam o slogan", exigiu, no auge de sua criatividade vilanesca. Weintraub chegou com o pé na porta. Cortem dinheiro daqui. Cortem dinheiro de lá. Isso é uma balbúrdia. Se não for do meu jeito, que fechem! O curioso é que não parece haver uma única iniciativa construtiva do governo. Tudo é demolição. Acabamos com o que já foi feito. Palmas! E agora, vem o quê? A pergunta fica no ar e nem eles têm a resposta. As universidades são uma baderna, fechem-nas! Sim, problema resolvido! E onde iremos estudar agora? Mas o dinheiro que não vai para a universidade agora irá para a educação infantil, muito mais necessária, disseram os otimistas (no Brasil, otimistas são aqueles que não leem jornal). Aí descobre-se que o corte na educação infantil, em termos nominais, foi ainda maior. A pré-escola deve estar uma balbúrdia também.... E ao longo desses 30 dias Weintraub não se mostrou apenas vil. Mostrou também ser um completo despreparado. Não sabe a diferença entre Kafka e cafta. Não sabe a diferença entre R$ 500 mil e R$ 500 milhões. Tenta até agora explicar como pôde ter tantas notas zero na USP (será que foi retaliado por não balburdiar)? Em todo caso, o que já aprendemos é que nesse governo é sempre melhor ficar com o que já temos. Achávamos que não haveria nada abaixo de Vélez. Ele caiu, e olha o que conseguimos. Então, vamos combinar assim: deixa o Abraham lá. Vai saer que tipo de gente viria depois dele.

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