Após o debate entre os candidatos ao Senado na Band neste sábado (17), o deputado federal Paulo Martins (PL), que voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal, negou que as manifestações em Curitiba no último Sete de Setembro tenham tido caráter golpista. "Eu fui lá para participar a comemoração aos 200 anos da independência do meu Brasil. Eu não sou responsável por esse tipo de cartazes", disse o deputado.
Paulo Martins participou do ato organizado pelos movimentos pró-Bolsonaro na tarde de Sete de setembro. Nas manifestações, como mostram as reportagens do Plural, foram inúmeras as faixas contra o STF e a favor da intervenção militar para controlar as eleições. Além de Paulo Martins, mais oito candidatos de direita as próximas eleições participaram desta manifestação.
Questionado pelo Plural após o debate, Paulo Martins negou que as faixas antidemocráticas tenham sido comuns. “Não estava cheia de faixas [contra o STF], eu não vi nenhuma. Eu sou um democrata e defendo a Constituição Federal. Eu não tenho responsabilidade sobre isso”, afirmou.
Críticas
Durante o debate, Paulo Martins (PL) criticou decisões recentes do STF, principalmente nos inquéritos das Fake News e dos Atos Antidemocráticos. A crítica surgiu em uma pergunta ao ex-juiz Sergio Moro (União), que preferiu não responder diretamente a questão, afirmando que “cabe ao Senado fazer essa fiscalização e a gente precisa de uma voz forte e independente”.
“A gente tem visto ultimamente uma atividade do Supremo Tribunal Federal que não é vista em nenhuma outra parte do mundo e em nenhuma outra experiência civilizada. Um tribunal superpoderoso que abre inquéritos inclusive com um juiz sendo investigador, juiz e vitima”, disse Paulo Martins a Sergio Moro.
No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes determinou medidas contra um grupo de empresários que, por meio de um grupo de WhatsApp, trocou mensagens defendendo um possível golpe de Estado caso Lula ganhasse as eleições. Em 9 de setembro, o pedido de arquivamento da vice-procuradora da PGR, Lindora Araujo, foi recusado por Alexandre de Moraes.
Durante o debate, Paulo Martins definiu os últimos inquéritos de Alexandre de Morais como “abusivos”. “Tem gente presa, tem gente exilada, tem gente que está sofrendo violações e você está falando sobre indicações que virão acontecer. As nossas garantias constitucionais não estão seguras”, afirmou Paulo Martins durante sua réplica à resposta de Sergio Moro.
O candidato ao Senado pelo PL, apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, também é autor de uma PEC para impor limitações à conduta de ministros do STF, em especial para impedir decisões monocráticas em matérias de natureza constitucional.