O senador Sergio Moro se filiou ao PL nesta terça-feira (24 de março) em Brasília e consolidou a aliança anunciada na semana passada para a disputa da Presidência da República e do governo do Paraná. A presença do ex-procurador Deltan Dallagnol, que deverá ser um dos candidatos ao Senado pela aliança, confirmou que o Partido Novo deverá se afastar da base do governador Ratinho Jr (PSD) para as eleições de outubro. O outro candidato a senador do grupo será o deputado federal Filipe Barros (PL-PR).
O pré-candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), anunciou apoio a Moro na semana passada, o que evidenciou um racha com o grupo político e Ratinho Jr. O PL integrava a base de Ratinho e apoiaria o candidato do governador, que ainda não foi definido.
Em nota, o diretório estadual do Novo no Paraná afirmou nesta terça que o partido disputará as eleições junto com o PL no Estado. "No Paraná, NOVO e PL passam a caminhar juntos em torno de um projeto sólido e vencedor: um Estado mais eficiente, com responsabilidade fiscal, segurança jurídica, incentivo a quem produz e combate firme à corrupção". A nota informa ainda que o vice na chapa de Moro será o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos (PL).

Segundo o Novo, a aliança "está alinhada a um movimento mais amplo que se consolida em todo o país, já estruturado em estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, entre outros". "A decisão foi construída de forma conjunta, respeitando a autonomia partidária e colocando acima de tudo o interesse dos paranaenses", diz a nota.
Aliança desfeita
O Partido Novo e o grupo de Ratinho Jr se aproximaram nas eleições municipais de 2024. O Novo apoiou a eleição de Eduardo Pimentel (PSD), candidato do governador. Depois das eleições, o vice-prefeito Paulo Martins deixou o PL e se filiou ao Novo. A vereadora Amália Tortato, reeleita pelo Novo, assumiu a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Os três vereadores do partido, Guilherme Kilter, Indiara Barbosa e Rodrigo Marcial, integram a base de apoio a Pimentel.
A demora de Ratinho Jr para definir seu candidato em outubro poderá afastar outros partidos que apoiam seu governo. O Republicanos, que integrou a aliança que ajudou a reeleger Ratinho em 2022, já convidou o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), para disputar o governo pelo partido. O MDB, outro que esteve na aliança em 2022, filiou o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que já anunciou sua pré-candidatura ao governo.
Ao lado de Flávio Bolsonaro (que ainda não explicou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão mas contas, em um suposto esquema de rachadinha quando era deputado estadual no Rio de Janeiro), Moro disse durante a cerimônia de filiação que “a roubalheira voltou em uma escala inimaginável” durante o terceiro governo de Lula (PT).
“Roubaram até os aposentados e pensionistas do INSS”, afirmou o ex-juiz da Lava Nato, que tomou conhecimento das fraudes do INSS em 2019, quando era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL), e sequer determinou a abertura de uma investigação.

Segundo Sergio Moro, a intenção é "dar continuidade" ao governo de Ratinho Jr. "Vamos dar continuidade nas boas coisas que o atual governo fez, o governo Ratinho, mas vamos buscar também um governo de excelência, de mudança. E eu tenho certeza que, com a presença (Flavio Bolsonaro) sua lá no Palácio do Planalto, nós vamos ter muito melhores condições de realizar os sonhos que nós almejamos para o nosso Estado. Eu quero também fazer um agradecimento especial aqui ao Edson Vasconcelos, que vem somar com a gente, trazendo todo o empresariado".
A mulher de Moro, a deputada federal eleita por São Paulo Rosângela Moro, também se filiou ao PL.

