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Moro reclama de "factoide" ao ser questionado sobre tentativa de Bolsonaro de interferir na PF

Senador se referiu a adversários políticos como "bandidos" e disse que governo Lula "roubou aposentados" – esquema que ele conhecia desde 2019

Moro reclama de "factoide" ao ser questionado sobre tentativa de Bolsonaro de interferir na PF
O senador Sergio Moro em entrevista na Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (6). Foto: Tami Taketani/Plural
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O senador Sergio Moro (PL-PR) classificou como uma tentativa de "produzir factoides" a lembrança de que ele mesmo acusou Jair Bolsonaro de tentar controlar a Polícia Federal (PF) quando era presidente. Após deixar o Ministério da Justiça, em abril de 202o, Moro disse que Bolsonaro queria controlar a PF para proteger seus filhos de investigações – entre eles o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência pelo PL e apoiado pelo senador paranaense.

"Olha, o que a gente vê... Vamos ver o que está acontecendo nesse governo. Nesse governo, o que nós temos de volta? A roubalheira do PT. Roubaram até os aposentados e pensionistas", afirmou Sergio Moro em entrevista na tarde desta segunda-feira (6 de abril) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

"Eu acho que esse é o crime mais vergonhoso da história do país. E quem está lá suspeito e envolvido? O filho do presidente Lula. Então, a gente vê até a Polícia Federal fazendo hoje um bom trabalho, mas por quê? Está sendo conduzido com mão firme e independente do ministro (do Supremo Tribunal Federal) André Mendonça. Quem indicou o ministro André Mendonça? Jair Bolsonaro. Então, vamos colocar a realidade e sem produzir factoides".

Questionado sobre sua presença no Ministério da Justiça em 2019, quando o governo de Jair Bolsonaro foi informado sobre os desvios no INSS, Sergio Moro não respondeu e mandou a entrevista prosseguir.

Moro tomou conhecimento dos desvios de aposentados por meio de ofício enviado pelo Procon-SP no dia 30 de julho de 2019. O diretor-executivo do órgão, Fernando Capez, apresentou ao então ministro uma lista de seguradores, empresas de serviços e instituições financeiras suspeitas. Segundo o Procon-SP, desde 2017 o órgão havia feito mais de 16 mil atendimentos referentes a descontos irregulares praticados por dez entidades. As entidades foram descredenciadas, mas não houve investigação.

Moro tomou conhecimento de fraudes no INSS em 2019, quando era ministro de Bolsonaro
Em nota, senador afirmou que entidades foram descredenciadas após denúncia do Procon-SP

Bolsonaro confirmou tentativa em reunião ministerial

A tentativa de interferir na PF para proteger os filhos foi confirmada pelo próprio Jair Bolsonaro na reunião ministerial do dia 22 de abril de 2020. Diante de todos os ministros – entre eles Sergio Moro –, o então presidente disse que trocaria até o ministro da Justiça para que familiares não fossem investigados.

"É putaria o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele. Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro", disse Bolsonaro.

O vídeo da reunião, realizada dois dias antes de Moro deixar o governo, foi divulgado após autorização dada pelo STF a pedido da defesa de Sergio Moro. Flávio Bolsonaro foi investigado pela PF pela suposta prática de "rachadinha" quando era deputado estadual Rio de Janeiro e por suspeita de vazamento de informações privilegiadas sobre a Operação Furna da Onça, de 2018, que investigou supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio.

Clima de faroeste

A entrevista de Moro ao lado do deputado federal e pré-candidato ao Senado Filipe Barros (PL-PR) foi convocada para os principais líderes do PL no Estado falarem sobre as filiações à legenda no período da janela partidária. A bancada do PL na Alep passou de cinco para 12 deputados; já a bancada federal cresceu de dois para quatro parlamentares (além do suplente Reinhold Stephanes Jr). Fernando Giacobo, que liderou um movimento para prefeitos deixarem o PL após a filiação de Moro, migrou para o PSD do governador Ratinho Jr.

Nos pouco mais de 15 minutos de entrevista, Moro e Filipe Barros demonstraram que o tom da campanha será de ataques. Eles usavam a palavra "bandidos" para se referir a quem não estiver em seu grupo político.

"Todos aqueles que queiram se filiar, prefeitos, vice-prefeitos, lideranças políticas, o nosso partido está aberto, com exceção daqueles que são bandidos e petistas", disse Barros. "Todos juntos vamos construir um grande projeto. E todos aqueles que não são petistas e que não são bandidos são bem-vindos a estar conosco", afirmou Moro.

Filipe Barros, que é presidente do PL no Paraná, disse que oito prefeitos deixaram o partido desde a semana passada. Segundo Fernando Giacobo, os 53 prefeitos eleitos pelo partido em 2024 deixariam a legenda para apoiar o candidato de Ratinho Jr ao governo (que ainda não foi definido). Em evento no dia 26 de março em Curitiba, Giacobo reuniu 48 prefeitos. "Diziam 'debandada no PL do Paraná', plantaram essa fake news vergonhosa", criticou Sergio Moro.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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