Texto de Marya Marcondes, aluna de Jornalismo da UFPR
Sob orientação de Rogerio Galindo
O médico ginecologista Felipe Lucas, 81, foi denunciado e se tornou réu pelo crime de violação sexual mediante fraude após um atendimento a uma paciente de 24 anos em um serviço da rede pública de saúde no município de Irati, no Centro-Sul do Paraná.
Segundo a investigação, o inquérito indica que o profissional teria usado a posição de confiança de médico para praticar o crime, usando um suposto procedimento clínico como justificativa. A ausência de registro eletrônico do atendimento foi um dos elementos analisados para embasar o indiciamento.
Investigação
A paciente, segundo o Boletim de Ocorrência (BO) e depoimentos colhidos pela polícia, afirma que o episódio ocorreu no início de fevereiro, durante um exame ginecológico. Ela registrou a queixa na delegacia sete dias depois, explicando, em depoimento, que o “extremo abalo emocional” e a tentativa de lidar sozinha com o trauma levaram a um intervalo antes de procurar ajuda formal.
Durante o atendimento, a paciente estava acompanhada do marido, que permaneceu na sala de espera, e de seu filho de cinco anos, que ficou na consulta com ela, orientado pelo médico a ficar de costas para não presenciar o que se passava na mesa de exame.
Afastamento e cautelas processuais
Felipe Lucas solicitou afastamento temporário desde 9 de abril, período em que as investigações corriam. A Justiça analisa uma medida cautelar de afastamento das funções públicas e suspensão de seu exercício profissional. O pedido de cautelar foi reforçado pelo Ministério Público do Paraná (MP‑PR) e aguarda definição do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ‑PR). Em nota, a defesa de Felipe Lucas ressalta que ele “nega veementemente” quaisquer ações irregulares durante o atendimento.
Réu responde em liberdade
De acordo com a Polícia Civil, o médico não registra passagens anteriores por crimes e responde ao processo em liberdade, sem prisão preventiva. No entanto, a delegacia alerta que a situação pode ser reavaliada caso novas vítimas procurem a polícia para relatar episódios semelhantes. Denúncias podem ser feitas de forma anônima à Polícia Civil pelos telefones 197 ou 181.
Felipe Lucas é médico ginecologista e obstetra ativo no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM‑PR) e completou mais de 50 anos de profissão. Na esfera política, foi vereador e prefeito de Irati na década de 1990 e cumpriu três mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Em 2020, concorreu ao cargo de vice‑prefeito, mas não foi eleito.
O CRM‑PR informou que irá instaurar processo de sindicância para apurar a conduta profissional do médico, em paralelo ao andamento do processo penal.