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João Bettega nomeia assessor com condenação cível para cargo em seu gabinete

Comissionado foi contratado para substituir assessores que se demitiram após "traição" de Bettega ao MBL

João Bettega nomeia assessor com condenação cível para cargo em seu gabinete
O vereador João Bettega. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC
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Depois de todos os assessores de seu gabinete pedirem exoneração, o vereador João Bettega (União Brasil) nomeou para seu gabinete na Câmara Municipal de Curitiba um advogado que possui condenação no Juizado Especial de Colombo. Guilherme Wesley Santos Oliveira foi nomeado na última segunda-feira, 12 de maio, para o cargo de assessor de gabinete CC-2, com salário de R$ 15.720,27.

Oliveira e outro advogado foram alvo, no ano passado, de uma ação movida pela representante de um posto de gasolina, que dizia ser vítima de cobrança abusiva por parte de uma fornecedora de gás. Segundo ela, depois de contratados os advogados não deram entrada em duas ações, uma indenizatória, por danos morais e materiais, e outra de levantamento de hipoteca. Ela relatou que teve de pagar R$ 20 mil após fazer um acordo com a empresa.

Na ação, os advogados informaram que os serviços foram prestados, mas que não entraram com as ações. “Quanto à ação de indenização, alegam que após análise dos documentos, perceberam que a ação não teria êxito”, afirmou em sua sentença a juíza Ivonete da Rosa, da Juizado Especial de Colombo, já que a cobrança feita pela distribuidora de gás “não era indevida”. 

“Diante dos fatos, não há comprovação por parte dos requeridos que tenham prestado os serviços descritos no contrato (evento 27.5) já que nenhuma das ações foram ajuizadas, tenho que procede o pedido de restituição do valor de 5.000,00 (cinco mil reais)”, afirmou a juíza Ivonete da Rosa. Os dois foram condenados a devolver R$ 5 mil para a autora da ação. A juíza negou os pedidos de indenização por danos morais e a restituição dos R$ 20 mil.

O Plural entrou em contato com João Bettega nesta quarta-feira (15), mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Expulsão e pedido de cassação

João Bettega foi expulso na semana passada do MBL (Movimento Brasil Livre) por não denunciar que José Luiz Velloso, então presidente do Instituto Municipal de Turismo, tinha uma condenação por improbidade administrativa. Velloso é presidente do PL Jovem no Paraná e foi exonerado pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), no dia 7 de maio, após questionamento do Plural.

No mesmo dia, Bettega foi expulso do MBL e os nove assessores de seu gabinete pediram exoneração, alegando que o vereador havia traído o movimento e não denunciou Velloso para "não perder likes" entre o público bolsonarista. Áudio obtido pelo Plural mostra que Bettega sabia da condenação de Velloso, mas preferiu guardar a informação para ter "uma carta na manga". Na segunda-feira (12), o MBL protocolou um pedido de cassação do mandato de João Bettega.

Velloso presidia o Instituto Municipal de Turismo quando foi contratada Andreia Gois Maciel, apresentada pelo vereador Eder Borges (PL) em 2022. Apesar do cargo no Instituto, Andreia se apresentava e costumava atuar como assessora do vereador. Ela também foi exonerada. Andreia é mãe de Victoria Lauren Maciel Almeida, chefe de gabinete de Borges, como revelou matéria publicada pelo site Intercept Brasil no dia 30 de abril.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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