A vereadora Giogia Prates (PT) deu entrada em uma representação na Câmara Municipal de Curitiba em que pede a cassação do mandato do vereador Eder Borges (PL) por uma declaração a respeito da Ku Klux Klan, grupo racista dos Estados Unidos conhecido por pregar a supremacia branca e linchar negros. Na sessão da última terça-feira (22), Borges disse que a KKK, como é conhecido o grupo supremacista, surgiu para "desarmar os negros norte-americanos".
A discussão envolvia o projeto que cria o Dia dos CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) na cidade, de autoria do próprio Borges. Além da fala sobre a KKK, o vereador disse que "a esquerda gosta de fantasiar, inventar dados e números para dizer que esse país mata LGBTs", que "as mulheres falam em feminicídio, um termo inventado" e que "as feministas alegam serem agredidas pelos homens".
Após Giorgia Prates reagir à fala, o vereador atribuiu a declaração da parlamentar a um possível "mau-caratismo" e a uma possível "falta de neurônio ou falta de honestidade, de caráter e de vergonha na cara". Ele ainda chamou a fala da vereadora de "palhaçada" e sugeriu que ela "não estuda". Depois, deu a entender que a libertação dos negros nos Estados Unidos foi responsável pelo surgimento da KKK.
"Isso aconteceu sim, porque a população negra estava se armando, estava sendo liberta, estava se libertando e estava obtendo poder. E é pra isso que a senhora deveria lutar".
Eder Borges, vereador de Curitiba, ao falar sobre a criação da Ku Klux Klan

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram nesta sexta-feira (25), Giorgia Prates anunciou que deu entrada em uma representação contra Borges.
"A fala dele nessa Casa utilizando a Ku Klux Klan para defender o uso de armas não é apenas irresponsável, é uma ofensa direita à minha existência enquanto mulher negra, à memória do meu povo e de todas as pessoas que conhecem e sentem o peso da violência racista que essa, por assim dizer, organização, representa."
Giorgia Prates, vereadora de Curitiba
Ela lembrou que passou a ser atacada ao dar sua resposta durante a sessão, o que pode configurar quebra de decoro parlamentar. "Após teu ter usado todo o meu tempo para explicar o que é a Ku Klux Klan, que é uma organização supremacista branca responsável por torturas, linchamentos e assassinatos de pessoas negras nos Estados Unidos, e também pedir por respeito à minha ancestralidade e à história de dor e resistência do nosso povo, eu fui alvo de uma ação violenta, completamente inaceitável nessa Câmara".
A assessoria jurídica de Eder Borges informou que ele se manifestará em suas redes sociais.
Assista ao vídeo de Giorgia Prates: