A divulgação da carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é um sinal de alerta à soberania e à democracia brasileira. A oferta feita ao governo americano de espaço na equipe de transição, caso ele seja eleito, deixa claro que quem vai governar o Brasil será os interesses norte-americanos.
Talvez, em meio à euforia da Copa, não tenhamos prestado atenção no perigo que essa negociata representa. Porém, o documento é público e nele Rubio agradece ao senador pela "generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito". O Brasil não é quintal do Trump e sua turma nem está à venda.
É importante lembrar que os EUA invadiram a Venezuela, sequestraram o petróleo para si e depois, diante da tragédia provocada pelos terremotos nos últimos dias, anunciaram ajuda humanitária. Valor esse irrisório diante de bilhões surrupiados em petróleo. Será que é esse o destino que alguns querem para o Brasil? A carta de Rubio é estarrecedora ao expor as negociatas em curso. Não bastou a articulação para taxar os produtos brasileiros, querem entregar o comando do nosso país à Trump.
O problema não está na defesa de uma agenda de aproximação com os Estados Unidos. Em democracias consolidadas, candidatos apresentam programas de governo, estabelecem interlocução internacional e sinalizam prioridades. O ponto aqui não é esse, é a utilização da expressão "equipe de transição" e a disposição de colocá-la à serviço de um governo estrangeiro antes mesmo do resultado das eleições.
A legislação brasileira estabelece regras claras para a transição de governo. Trata-se de um procedimento oficial, previsto para ocorrer exclusivamente entre o governo em exercício e o presidente eleito, após o resultado das urnas. Seu objetivo é garantir continuidade administrativa, acesso a informações estratégicas e preparação da nova gestão. Não existe, portanto, previsão legal para uma equipe de transição de um pré-candidato antes das eleições, muito menos para interlocução com governos estrangeiros.
Apesar da resposta protocolar de Rubio mantendo as taxações sobre os produtos brasileiros e evitando qualquer apoio eleitoral, o documento revela o modus operandi da Família Bolsonaro, ou seja, negociata atrás de negociata. Ora é a produção do filme com recursos desviados de aposentados, através de descontos ilegais promovidos pelo Banco Master, ora é a defesa da privatização das praias ou, se preferir, homenagem a milicianos. O Brasil e os brasileiros e brasileiras, de verdade, não merecem essa corja no seu mais alto posto.