O deputado federal Filipe Barros (PL) afirma que nunca conheceu Daniel Vorcaro e que confia que seu candidato a Presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), vai ser capaz de explicar sua relação com o banqueiro. As declarações foram feitas na entrevista que o pré-candidato a senador concedeu ao Plural na manhã desta terça-feira (2).
Filipe Barros é autor de uma emenda que poderia ter beneficiado o Banco Master, de Daniel Vorcaro, caso tivesse sido aprovada. Na Câmara dos Deputados, o paranaense apresentou a proposta de que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passasse a pagar até R$ 1 milhão por CPF caso um banco se tornasse inadimplente ou quebrasse. Hoje, o limite é de R$ 250 mil.
A "emenda Master" havia sido apresentada originalmente por Ciro Nogueira (PP-PI) no Senado, mas não passou. Em dezembro de 2024, o paranaense apresentou proposta com os mesmos valores na Câmara. Isso poderia, em tese, alavancar ainda mais os negócios de Vorcaro, que causou o maior rombo no sistema financeiro nacional com seus negócios escusos no Master.
"Suponha que o dono da padaria deixou o dinheiro que guardou a vida inteira na poupança", disse o deputado. "O dono do banco contrata prostituta para política, faz festa, faz rolo e você vai perder o seu dinheiro? Não é justo. E vou reapresentar o projeto", disse ele, afirmando que estava apenas tentando proteger os correntistas. Barros nega que o valor de R$ 1 milhão seja alto demais.
Ainda sobre o Master, o deputado afirma que Flávio Bolsonaro deverá apresentar nos próximos dias o contrato que prevê o financiamento do filme "Dark Horse", que contará a vida do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora admita que não tenha visto o contrato, Barros diz que não se tratava nem de doação nem de empréstimo, mas de um "investimento em troca de parte da bilheteria do filme".
Sobre o fato de Vorcaro, àquela altura, já ser conhecido por negócios suspeitos, Barros diz que "talvez tivesse sido o caso de procurar outros investidores", mas afirma que outras instituições, como a Rede Globo e ministros do Supremo Tribunal Federal, também receberam dinheiro do banqueiro, que hoje está preso.
Na conversa com o Plural, o deputado também falou sobre o cenário da campanha e sobre a possibilidade de o excesso de candidatos da direita no Paraná favorecerem a única candidatura de esquerda ao Senado no estado apresentada até aqui, da deputada Gleisi Hoffmann (PT). Barros defende que as candidaturas de Cristina Graeml e Guto Silva (PSD) não sejam lançadas.
O deputado também defendeu Jair Bolsonaro da acusação de Golpe de Estado e disse que, caso eleito para o Senado, vai trabalhar pela anistia ao ex-presidente e a todos os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.