Duas empresas do Grupo Massa, que pertence ao apresentador do SBT Carlos Roberto Massa, o Ratinho, receberam R$ 24 milhões do Banco Master, segundo documentos enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, no Senado. A informação foi publicada nesta quarta-feira (8) pelo jornal "Folha de São Paulo".
Ratinho atuou como garoto propaganda do CredCesta, cartão consignado para servidores públicos ligado ao Banco Master. Entre 2023 e 2024, o governador Ratinho Jr (PSD) e o então prefeito de Curitiba, Rafael Greca (na época filiado ao PSD, hoje no MDB), passaram a oferecer o cartão como "opção" para os servidores. Após a liquidação do Master, em novembro do ano passado, servidores estaduais e municipais passaram a denunciar uma série de problemas com o CredCesta.
De acordo com a matéria da "Folha de São Paulo", a Massa Intermediação, que pertence a Ratinho, recebeu R$ 21 milhões do Master entre 2022 e 2025. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, que também pertence ao Grupo Massa, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo informações repassadas pelo Master à Receita Federal.
A Gralha Azul Empreendimentos teve participação na construção do Tayayá Porto Rico Residence & Resort, em São Pedro do Paraná, na região Noroeste do Estado. O empreendimento foi liberado pelo IAT (Instituto Água e Terra), ligado à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Sustentável, em 2022, apesar de a região ficar dentro da Área de Proteção Permanente (APP) do Rio Paraná. A responsável direta pela obra foi a Terras do Paraná, outra empresa de Ratinho.
O resort Tayayá teria ainda participação de dois irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, segundo revelou o jornal "O Estado de São Paulo". O investimento teria sido feito por meio de fundos de investimentos ligados a Fabiano Zettel, o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. Eles também teriam participação em outro resort de luxo, o Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, na mesma região.
À "Folha de São Paulo", o Grupo Massa afirmou que "construiu uma trajetória pautada por práticas amplamente reconhecidas pelo mercado com rendimentos declarados à Receita Federal, incluindo campanhas publicitárias e parcerias com diversas marcas e empresas" e que Ratinho Jr não tem participação societária. O governador não quis se manifestar.
Os documentos da Receita Federal apontariam ainda repasses do Master para escritórios de advocacia e empresas ligadas ao ex-presidente Michel Temer (MDB); ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda; ao ex-governador da Bahia ACM Neto (União Brasil) e aos ex-ministros Guido Mantega (Fazenda, governos Lula e Dilma Rousseff), Fabio Wajngarten (chefe da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro), Henrique Meirelles (Fazenda no governo Temer) e Ricardo Lewandowski (ministro da Justiça no governo Lula e ex-ministro do STF).
Problemas com o CredCesta
Em dezembro do ano passado, o Plural teve acesso a cerca de 400 mensagens de servidores municipais de Curitiba que relatavam problemas com o CredCesta, o cartão do Banco Master. Em fevereiro de 2024, foi possibilitado aos servidores a utilização de 40% de seus vencimentos para fazer empréstimos consignados (30% do Cartão Qualidade, mais os 10% permitidos até então), desde optassem pelo uso do cartão.

Depois da Operação Compliance, que levou à liquidação do Master e à prisão de Daniel Vorcaro, servidores ativos, aposentados e pensionistas da Prefeitura denunciaram cobranças em duplicidade, cobranças indevidas, juros altos, parcelas maiores que as habituais e dificuldades para entrar em contato com a operadora. Eles relataram ainda que foram informados pela Prefeitura que a operação passaria para o Banco Pleno – cujo dono, Augusto Lima, também foi preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero.
Diante da pressão de servidores e sindicatos, o Governo do Paraná e a Prefeitura de Curitiba bloquearam os cartões CredCesta e o Mettacard, também ligado ao Master, em novembro de 2025. Em fevereiro este ano, a Prefeitura anunciou o rompimento do contrato com a CredCesta.
