A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado pelo Paraná, anunciou que não irá comparecer ao debate do Plural marcado para a noite desta sexta-feira (11). Com isso, o debate será convertido automaticamente, conforme prevê a regra assinada pelas assessorias dos candidatos, numa entrevista com o candidato que manteve a sua participação, o deputado Filipe Barros (PL).
O evento faz parte de uma série de debates entre os principais candidatos ao Senado pelo estado e pretende colocar os postulantes ao cargo em conversas "mano a mano". O emparceiramento foi definido por sorteio, com a presença das assessorias dos políticos, em agosto.
A assessoria de Gleisi confirmou inicialmente a participação da deputada. Só nesta sexta, por meio de uma nota enviada ao Plural, a deputada cancelou sua ida ao debate alegando que o adversário tem sido excessivamente agressivo com ela.
"A conduta do candidato do PL é alicerçada no desrespeito, desinformação, promoção do discurso de ódio político, desqualificação pessoal e ataques dirigidos especificamente à condição de Gleisi como mulher, substituindo o debate qualificado sobre o Paraná por agressões pessoais", diz a nota.
A regra aceita pelas assessorias prevê que, em caso de ausência de um dos candidatos, o outro tem direito ao uso do tempo previsto para o evento para uma entrevista. Consultado pelo Plural, o deputado Filipe Barros disse que faz questão de usar esse tempo.
Na quinta-feira, a série de debates do Plural foi iniciada com um encontro entre os candidatos Cristina Graeml (PSD) e Dr. Rosinha (PT). O terceiro debate deve ser entre Deltan Dallagnol (Novo) e Alexandre Curi (PSD) e estava previsto inicialmente para esta semana, mas os dois candidatos pediram um reagendamento e uma nova data ainda deverá ser definida.
Leia a íntegra da nota da candidata Gleisi Hoffmann.
Nota ao Plural
A candidata ao Senado Gleisi Hoffmann comunica que não irá participar do debate “mano a mano” promovido pelo Plural nesta sexta-feira (11) com o candidato Filipe Barros. A conduta do candidato do PL é alicerçada no desrespeito, desinformação, promoção do discurso de ódio político, desqualificação pessoal e ataques dirigidos especificamente à condição de Gleisi como mulher, substituindo o debate qualificado sobre o Paraná por agressões pessoais. A postura inviabiliza qualquer debate qualificado, respeitoso e democrático que os eleitores do Paraná merecem.
Filipe Barros já sofreu diversas sanções do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que determinpou a retirada das redes sociais de conteúdos com ataques contra Gleisi e o pagamento de R$ 50 mil de multa (autos 0600669-43, 0600670-28, 0600671-13). Existem ainda cinco processos de conteúdo similar aguardando julgamento. Ainda assim, os ataques não pararam. Ontem (10) a Justiça Eleitoral determinou a exclusão de um vídeo manipulado em que o candidato criou “diálogo artificial” para atacar Gleisi. Segundo o TRE-PR, a montagem “simula a admissão do cometimento de graves ilícitos penais”, ultrapassa os limites da crítica política e caracteriza conteúdo “manipulado e gravemente descontextualizado”.
Os ataques sistemáticos demonstram que o candidato optou construir sua campanha com base em ofensas com a finalidade de viralizar nas redes sociais, como a mobilização de um grupo de apoiadores para ofender a candidata na chegada do debate da Band Paraná nesta semana. Esta conduta contrasta radicalmente com a trajetória política e pessoal de Gleisi, marcada pelo diálogo e construção democrática com a imprensa, setor produtivo, forças políticas e sociais do Paraná e do Brasil.