Deputados estaduais protestaram na sessão desta segunda-feira (11 de maio) contra mais uma ação considerada "eleitoreira" por parte de vereadores de Curitiba que estiveram na reunião do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) durante o julgamento de representações contra o deputado Renato Freitas (PT).
Nesta segunda, o Conselho recomendou a cassação do mandato do petista e aplicou duas penas de suspensão das prerrogativas parlamentares por 30 dias. Os vereadores Guilherme Kilter (Novo), Bruno Secco (Novo) e Tathiana Guzella (PL), autores de uma das representações, estiveram novamente presentes. Kilter e Guzella gravam vídeos para suas redes sociais.
Assim que o pedido de cassação foi anunciado pelo presidente do Conselho, Delegado Jacovós (PL), vereadores e militantes de extrema direita passaram a aplaudir a decisão. Entre eles estava Will Rocha, militante do Partido Missão, criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Jacovós convocou a segurança da Alep para dar continuidade à sessão.

Durante a sessão plenária, o líder da oposição na Alep, Arilson Chiorato (PT), se referiu à ação dos vereadores como "Show da Xuxa". "Vamos pedir um registro sobre a falta de compostura da molecada da Câmara de Curitiba. Pessoal que achava que era o Show da Xuxa e foi lá hoje fazer brincadeira mais uma vez", disse.
Ele cobrou uma posição da presidência da Alep. "Falta postura a essa presidência que está aí, que não tomou atenção do que nós já relatamos. Esse pessoal que foi caçar like está levando ao descrédito o processo aqui dentro".
"Um bando de moleques mimados, com celular na mão, que não respeitam nenhum deputado. O deputado Jacovós presidia a sessão, nem terminada a sessão começava uma gritaria com o celular na mão. Essa Casa não tem coragem de tratar eles como devem ser tratados. Não tem coragem de abrir um processo aqui dentro ou notificar a Câmara de Curitiba."
Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Alep, sobre a ação dos vereadores
O deputado Gilberto Ribeiro (PL) pediu um aparte e disse que foi ofendido por Guilherme Kilter após um evento no litoral do estado. Segundo Ribeiro, ele foi criticado por fazer um vídeo falando que o movimento no litoral permaneceria após o Verão Maior, pois haveria o carnaval.
"Esse mesmo vereador me chamou de 'deputadozinho'. Esse mesmo rapaz é candidato a deputado nas próximas eleições, ele quer fazer campanha dizendo que ele é o garoto legal e que nós somos os deputadozinhos que não fazem absolutamente nada".
Gilberto Ribeiro (PL), deputado, sobre o vereador Guilherme Kilter
Já o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) relacionou a atitude dos vereadores a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que estariam "tomando o detergente Ypê". "O detergente virou bandeira ideológica no Brasil, alguns estão até tomando detergente. Então, fazer o quê?", questionou Romanelli.
Bolsonaristas têm defendido a empresa Ypê depois que a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante, que ofereceriam risco sanitário devido à presença de microrganismos patogênicos. A Ypê foi doadora da campanha de Jair Bolsonaro na eleição de 2022.
O espaço fica à disposição dos citados.