A Copel anunciou nesta segunda-feira (15) a venda de sua participação na Usina Hidrelétrica (UHE) Dona Francisca, localizada no Rio Grande do Sul, para a Gerdau. Em comunicado ao mercado, a companhia sediada em Curitiba informou que aceitou uma proposta vinculante e assinou, na mesma data, o Contrato de Compra e Venda de Ações com a siderúrgica gaúcha.
O negócio tem por objeto a fatia de 23,03% que a Copel detinha na Dona Francisca Energética S.A. (DFESA), empresa que integra o consórcio responsável pela operação da usina. Segundo a Copel, a transação foi de R$ 150 milhões para a participação, com pagamento em parcela única na data de fechamento. A conclusão depende do cumprimento de condições usuais para esse tipo de operação, entre elas as aprovações societárias e regulatórias aplicáveis.
A usina e a sociedade
A UHE Dona Francisca fica no Rio Jacuí, entre os municípios de Agudo e Nova Palma, na região central do Rio Grande do Sul. A usina entrou em operação em 2001 e tem 125 megawatts (MW) de potência instalada e cerca de 80 MW de energia assegurada. A operação é conduzida por meio da DFESA, que, até este ano, reunia como sócias três grandes empresas do setor elétrico do Sul do país — Copel, do Paraná, e Celesc, de Santa Catarina —, além da própria Gerdau.
Esse arranjo, no entanto, vem se desfazendo. Em abril deste ano, a Celesc vendeu para a Gerdau sua participação de 23,03% na DFESA, em uma operação também avaliada em R$ 150 milhões. À época, a siderúrgica saltou de pouco mais da metade para cerca de 77% do capital da empresa. Com a aquisição da fatia da Copel agora anunciada, a Gerdau reúne a totalidade das ações da Dona Francisca Energética.
Para a Gerdau, a compra se encaixa em uma estratégia de ampliar a chamada autoprodução de energia renovável — quando a própria indústria gera a eletricidade que consome. A companhia, fundada no Rio Grande do Sul, vinha investindo na aquisição de pequenas centrais hidrelétricas e na construção de parques solares para reduzir a dependência da compra de energia no mercado e elevar a parcela de fontes renováveis em sua matriz.
O que muda para a Copel
A saída da Dona Francisca dá continuidade ao movimento de reorganização do portfólio que a Copel vem conduzindo desde sua privatização, concluída em 2023, quando a companhia deixou de ter o governo do Paraná como acionista controlador e passou a operar como corporação de capital pulverizado.
No comunicado, a empresa descreve a venda como parte de uma estratégia de "otimizar continuamente o seu portfólio", simplificar a estrutura societária e concentrar esforços em ativos de maior porte, nos quais detenha controle ou influência relevante — caso que não se aplicava à fatia minoritária em uma usina fora do Paraná e sob controle de terceiros.
A operação se soma a uma série de desinvestimentos feitos pela Copel após a desestatização, que incluíram a usina termelétrica a gás de Araucária, a participação na distribuidora Compagás e a termelétrica a carvão de Figueira, além de pequenas hidrelétricas. O conjunto dessas vendas já havia rendido cerca de R$ 2 bilhões à companhia, em uma linha de atuação voltada a reforçar o caixa, focar no negócio principal de distribuição e transmissão e ampliar a remuneração aos acionistas.
A conclusão da venda da participação na Dona Francisca ainda depende das aprovações societárias e regulatórias previstas em contrato antes do fechamento.