O atraso no pagamento de salários, férias e vales transporte e alimentação para os funcionários da empresa terceirizada Produserv poderá afetar os serviços das Farmácias do Paraná, que fornecem gratuitamente medicamentos para mais de 90 tipos de doenças no estado. Os funcionários fizeram um ato na frente da empresa na tarde desta quarta-feira (28 de julho) e prometem paralisar as atividades a partir desta quarta (29).
A paralisação foi convocada pelo Sineepres, sindicato de empregados em empresas de prestação de serviços. Na tarde desta quarta, a empresa recebeu uma comissão de funcionárias e funcionários e se comprometeu a pagar os vales transporte e alimentação até esta quarta-feira e pediu um prazo de dez dias para regularizar as demais pendências.
O ato foi acompanhado por dirigentes do SindSaúde, sindicato dos servidores estaduais da área da saúde. "Esses trabalhadores atuam na maior farmácia pública do Paraná, na 2ª Regional de saúde. A gente atende cerca de 1,2 mil pacientes por dia, 46 mil por mês e 40% dos nossos trabalhadores estão sem receber salário, vale alimentação ou vale transporte", disse Priscila Brasil, dirigente estadual do SindSaúde.
"Isso impacta diretamente no atendimento à população. Na farmácia é feita a liberação da medicação de alto custo, para pacientes que não podem esperar. A população está sendo prejudicada, com aumento na demora para o atendimento. O governo do estado está terceirizando, precarizando e sucateando as políticas públicas."
Priscila Brasil, diretora do SindSaúde
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), as farmácias estão presentes nos 399 municípios do estado. "Temos trabalhadores da farmácia de Maringá, de Ponta Grossa, de Londrina e terceirizados da UEL (Universidade Estadual de Londrina), que também estão sem salário", afirmou Priscila.

Promessas
Segundo trabalhadores e trabalhadoras da Produserv, não só os atrasos são constantes, mas também as promessas da empresa. "O vale transporte deveria ter sido pago no dia 15. Eles prometerem pagar no dia 26 e até agora nada", disse a funcionária Luana Stefany, terceirizada que atua na Sesa. "Até cair, a gente tem que tirar dinheiro do bolso".
Franciele Critsina Dalazoanna, que também trabalha na Sesa, disse que está com o pagamento de férias atrasado há 51 dias – ela não teria recebido nem o salário referente ao mês anterior. "Tive que passar as férias dentro de casa", contou. Também haveria problemas em empréstimos consignados. "Tem gente com o nome no Serasa", afirmou a funcionária.
Um trabalhador que pediu para não ter o nome revelado disse que a empresa não tem um canal de contato com os trabalhadores. "Sempre tem algum atraso e valores diferentes, no holerite e no depósito. A empresa não responde e-mails e, quando ligamos, desligam o telefone na nossa cara".
A Produserv é a empresa que mais tem contratos com o governo do Paraná; são ao menos 130, com aproximadamente 3.654 postos de trabalho. Os maiores contratos são com o Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná (Deppen), nos valores aproximados de R$ 8,7 milhões e R$ 6,3 milhões; Casa Civil, no valor de R$ 6,9 milhões; Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), no valor de R$ 1,6 milhão; e Universidade Estadual de Maringá (UEM), com dois contratos (R$ 1,2 milhão e R$ 879 mil). Na semana passada, o governo do Paraná informou que todos os pagamentos à Produserv estão em dia.
