Estudantes argentinos da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, condenaram os ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no sábado (25 de julho).
Milei participava do lançamento da candidatura à presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em São Paulo, quando chamou Lula de "presidiário", "ladrão" e "lixo socialista". O presidente argentino chamou ainda Alexandre de Moraes de "lixo careca".
O Itamaraty convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Daniel Raimondi, para falar sobre os possíveis impactos da fala na relação entre os dois países. "Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", firmou o Itamaraty em nota.
Questionado sobre a fala de Milei na segunda-feira (27), após evento no Palácio do Planalto, Lula preferiu ignorar as ofensas: "Quem é esse cara?”, questionou o presidente. Na manhã de segunda, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou o presidente argentino de “palhaço”, o que repercutiu na imprensa argentina.
O PT acionou a Procuradoria Geral da República (PGE) para investigar a possível suposta ingerência de uma autoridades estrangeira nas eleições brasileiras. Os alvos da representação são Flávio Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) – os dois últimos participaram da recepção a Milei antes da convenção do PL.
Com a repercussão das ofensas, Milei disse que o Brasil "comandou uma campanha anti-argentina" durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Segundo a imprensa argentina, não haverá pedido de desculpas.
No comunicado, os estudantes da Unila condenaram "os atos de violência, insultos e difamações perpetrados pelo Presidente da Argentina, Javier Milei, contra o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro Alexandre de Moraes".
"Lembramos ao presidente Javier Milei que, enquanto seu governo corta verbas para a educação, a ciência e a tecnologia na Argentina, o líder brasileiro Lula da Silva está abrindo as portas do país para a juventude da região."
Comunicado de estudantes argentinos da Unila
Leia o comunicado assinado por dez estudantes, divulgado nesta terça (28):
COMUNICADO
Coletivo Argentino da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (UNILA) – Brasil.
A quem possa interessar,
Nós, do coletivo argentino da Universidade Federal de Integração Latino-Americana (UNILA), localizada no coração da tríplice fronteira, na cidade de Foz do Iguaçu, Brasil, condenamos veementemente os atos de violência, insultos e difamações perpetrados pelo Presidente da Argentina, Javier Milei, contra o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro Alexandre de Moraes, durante sua visita àquele país. Especificamente, condenamos os ataques verbais nos quais ele chamou o Presidente Lula de “presidiário” e “ladrão”, e o Ministro de Moraes de “lixo”, expressões que violam claramente as relações diplomáticas históricas entre nossos dois países.
Estas declarações não representam o povo argentino, nem aqueles de nós que cursam graduação, mestrado e doutorado na UNILA. Portanto, exigimos que o governo argentino retome o caminho do diálogo e da integração com nossa nação irmã e preserve o respeito à soberania e às instituições, que caracteriza a tradição de nossas relações diplomáticas, econômicas e estratégicas com nosso principal aliado na região, por meio da posse de seu chefe de Estado e do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal.
Toda afronta a um governo vizinho afeta, em última instância, aqueles que estudam, trabalham, produzem e exportam em ambos os países. Da mesma forma, lembramos ao presidente Javier Milei que, enquanto seu governo corta verbas para a educação, a ciência e a tecnologia na Argentina, o líder brasileiro Lula da Silva está abrindo as portas do país para a juventude da região. A UNILA é o reflexo mais claro de uma política educacional fundamentada em fronteiras abertas, integração regional e diplomacia entre os povos:
“A UNILA foi proposta em 2007, instituída em 12 de janeiro de 2010 pela Lei nº 12.189/2010 e inaugurada em 16 de agosto do mesmo ano pelo presidente Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva. Como instituição, caracteriza-se por sua natureza bilíngue — português e espanhol — e conta com um corpo discente composto por 50% de estudantes internacionais de diversos países da região. Sua missão fundamental é promover a integração regional, construir uma consciência e identidade latino-americanas e fomentar a educação — vista como a base indispensável para o desenvolvimento econômico, cultural e social de nossos povos.”
Diante do exposto, expressamos nosso profundo respeito e solidariedade ao presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva — líder com profundas raízes populares, figura histórica e fundador de nossa prestigiosa instituição, a UNILA. Além disso, reafirmamos nosso compromisso com a fraternidade entre os povos da Argentina e do Brasil, defendendo uma diplomacia alicerçada na unidade e na solidariedade latino-americanas, baseada no respeito e na tolerância à diversidade e na soberania popular.
Com nossa mais alta consideração e estima, cordiais saudações.
Coletivo de Argentinos na UNILA – Brasil.