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Câmara de Araucária volta atrás e rejeita denúncia contra prefeito do PL

Cinco vereadores que votaram a favor de investigação no início de fevereiro mudaram seus votos nesta terça-feira

Câmara de Araucária volta atrás e rejeita denúncia contra prefeito do PL
A sessão desta terça da Câmara de Araucária: só dois vereadores mantiveram seus votos | Foto: Reprodução

Pouco mais de um mês após aprovar a criação de uma comissão processante para investigar o prefeito Dr. Gustavo Botogoski (PL), a Câmara Municipal de Araucária voltou atrás e rejeitou nesta terça-feira (17) a mesma denúncia contra o chefe do Executivo. Dr. Gustavo poderia enfrentar um processo de impeachment por ter autorizado o pagamento de R$ 31 milhões a uma empresa de transporte coletivo, mesmo sem decisão da Justiça.

Dos oito vereadores que votaram pela aceitação da denúncia no início de fevereiro, só dois mantiveram seus votos na sessão desta terça: Ben Hur (União) e Fábio Pavoni (PV). Cinco mudaram de posição e um estava ausente.

Sessão anulada

O caso voltou à pauta nesta terça porque a sessão de 10 de fevereiro foi anulada duas semanas depois, no dia 24, após o vereador Ricardo Teixeira (Republicanos) argumentar que as 46 páginas da denúncia contra Dr. Gustavo deveriam ter sido lidas antes da votação.

Os vereadores que defendiam a abertura da investigação deixaram a sessão do dia 24 como forma de protesto e recorreram à Justiça para anular a decisão, mas tiveram seus pedidos negados pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná.

O prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski (Foto: divulgação)

Reviravolta

Um dos articuladores da aceitação da denúncia contra o prefeito Dr. Gustavo foi o vereador Gilmar Lisboa (ex-PT). No dia 6 deste mês, o PT anunciou a expulsão de Lisboa, que responde a um processo sob suspeita de estupro de vulnerável. No dia 11, a Câmara aprovou a abertura de processo que pode levar à cassação de seu mandato. Ele não participou da sessão desta terça.

Cinco vereadores que aprovaram o acolhimento da denúncia no dia 10 de fevereiro mudaram seus votos nesta terça: Celso Nicácio (PSD), Paulinho Cabeleireiro (União), Pedrinho da Gazeta (PSD), Olizandro Jr (MDB) e Vilson Grilo (União). Pastor Castilhos (PL), Fábio Pedroso (PL), Ricardo Teixeira (Republicanos), Nilson Vaz Torres (PL) mantiveram seus votos contra a investigação.

"Ele (Dr. Gustavo) cometeu ato de improbidade administrativa porque colocou em risco o dinheiro do povo. O diretor de uma escola, se faltar um centavo na prestação de contas, vai responder. E aqui temos R$ 31 milhões, que só não chegaram às mãos da empresa porque a Justiça impediu", disse Fábio Pavoni.

Antes da votação, Ben Hur afirmou que houve uma "articulação política do Executivo com o Legislativo" para que a denúncia não fosse aceita. "É importante o Ministério Público acompanhar essa sessão de hoje, para ver que existe um jeito de conduzir, uma articulação que ocorreu durante esses 15 ou 20 dias para que pudesse impedir o aceitamento dessa denúncia. O fato de aceitar a denúncia não está condenado o prefeito, está dando a oportunidade para ele justificar por que tentou fazer duas vezes esse pagamento".

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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