A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) acionou a cúpula da Segurança Nacional e o Ministério da Justiça após se tornar alvo de uma violenta ofensiva supremacista. Através de e-mails criptografados, um agressor detalha planos de violência física e sexual contra a parlamentar, em uma tentativa explícita de paralisar sua agenda legislativa no Congresso Nacional.
O agressor, que se identifica como Lucas Bovolini Martins, deflagrou uma tática de intimidação que combina o racismo visceral com um discurso de eliminação contra a comunidade LGBTQIA+. Em e-mail obtido pela reportagem, o autor destila um ódio higienista, classificando "viados e travestis" como uma "abominação" que deveria ser "queimada viva", enquanto utiliza ofensas racistas para condicionar a vida da deputada ao recuo imediato de seus projetos de lei que visam criminalizar o ódio nas redes sociais.
Este rastro de agressividade, no entanto, revela um padrão de atuação coordenada. Diferente de uma ação isolada, a reportagem identificou que o agressor opera sob uma lógica sistemática de cerco a lideranças negras e progressistas. No início de fevereiro, a deputada Lívia Duarte (PSOL-PA) também foi alvo do mesmo remetente, recebendo ameaças com idêntico teor de crueldade. A conexão entre os casos, que cruzam as fronteiras do Paraná e do Pará, revela que o uso do pseudônimo "Lucas Bovolini Martins" é o fio condutor de uma estratégia de intimidação em série, mapeada por este espaço antes mesmo de qualquer conclusão oficial das autoridades.
Diante desse cenário, o gabinete de Carol Dartora protocolou sete ofícios estratégicos. A reportagem teve acesso exclusivo à íntegra desses documentos, que revelam o acionamento do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça. A estratégia busca utilizar a via diplomática para que o Brasil solicite à Suíça a quebra do sigilo de dados do Proton Mail, rompendo a barreira tecnológica que hoje protege o criminoso.
As denúncias já estão sob análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, onde o caso é tratado como coação no curso do processo legislativo e crime de ódio transnacional. Ao acionar também a Presidência da Câmara e a Secretaria da Mulher, Dartora sinaliza que a resposta à tentativa de silenciamento será o fortalecimento das leis de combate ao ódio digital. O agressor, ao tentar intimidar a parlamentar, acabou por converter seus projetos na prioridade absoluta da agenda de segurança do Estado brasileiro.