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Alexandre Curi será eleito presidente hoje, pondo fim a década de poder de Traiano

Tido como sucessor natural do avô, Anibal Khoury, deputado teve carreira adiada por 14 anos pelo escândalo dos Diários Secretos

Alexandre Curi será eleito presidente hoje, pondo fim a década de poder de Traiano
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O deputado estadual Alexandre Curi (PSD) será eleito nesta segunda-feira presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, numa votação que terá apenas uma chapa composta pelos principais partidos representados no Parlamento. A eleição representa um marco importante por dois motivos: em primeiro lugar, coloca fim a um período de dez anos de Ademar Traiano (PSD) como presidente da Assembleia; em segundo, é a chegada ao poder de Curi, que já vinha sendo prevista há quase 20 anos na Assembleia.

Tido como o melhor articulador da Assembleia do Paraná - característica que herdou do avô, Anibal Khoury, que presidiu o Legislativo local por várias vezes anos anos 1980 e 90 - Curi sempre foi tido como um candidato natural ao cargo. A Presidência só não chegou antes em função do escândalo dos Diários Secretos, iniciado com uma série de reportagens publicadas pela RPC e pela Gazeta do Povo que mostrou enormes desvios de verba na Assembleia num período em que Curi era primeiro secretário, tendo Nelson Justus (União) como presidente).

Desde então, Curi passou por um longo período de reconstrução de sua carreira. Primeiro, enfrentando a crise midiática; depois, os processos judiciais. Hoje, não tem mais nenhum processo tramitando na Justiça - foi absolvido junto com Justus (apenas diretores da Assembleia, a começar por Abib Miguel, ex-diretor-geral do Legislativo, foram condenados pelo caso).

Durante esse processo, Curi viu Ademar Traiano se adonar da Presidência da Assembleia. Líder do governo Beto Richa (PSDB) no primeiro mandato, chegou à Presidência da Assembleia em 2015, justamente no momento da tragédia do 29 de abril. Por decisão sua, os deputados seguiram votando o pacote de medidas impopulares de Richa enquanto professores apanhavam da Polícia Militar do lado de fora, com direito a balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Por cinco eleições, Traiano conseguiu se equilibrar no poder, tendo apoio também de Ratinho Jr. (PSD). Porém, foi derrubado por um escândalo financeiro quando se revelou que ele cobrou propina de R$ 100 mil da TV Icaraí, de Joel Malucelli, para renovar um contrato com a TV Assembleia. Não fosse por isso, poderia tentar uma sexta Presidência,m ou pelo menos estaria na chapa de Curi.

Composição

Curi demonstrou seu poder de articulação na construção da chapa com que chega à Presidência. Depois da queda de Traiano, conseguiu lidar com a pressão de cinco candidatos fortes para ocupar a primeira-secretaria e evitou que surgisse uma chapa paralela.

No fim das contas, num acordo com Ratinho, colocou na primeira-secretaria um candidato improvável, o deputado Gugu Bueno (PSD). A segunda secretaria ficou com Maria Victoria (PP), o que agrada o grupo de Ricardo Barros. Requião Filho (PT), Alexandre Amaro (Republicanos) e Goura (PDT) ficam com a terceira e a quarta secretarias.

A primeira vice-presidente será Flávia Francischini (União), e as duas outras vices ficam com Delegado Jacovós (PL) e Moacyr Fadel (PSD).

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