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Câmara revolta Paranaguá ao extinguir Fundação de Assistência à Saúde

Decisão coloca 200 concursados na rua, deixa UPA desassistida e revolta de servidores com mais de 60 anos. Prefeitura não detalhou se haverá realocação, indenização ou concurso emergencial

Câmara revolta Paranaguá ao extinguir Fundação de Assistência à Saúde
Câmara de Paranaguá: vereadores fizeram a vontade da Prefeitura. Foto: Seme Said
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A sessão da última terça-feira (02) na Câmara de Paranaguá, terminou em tumulto e muito protesto. O motivo foi a aprovação da destituição da Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá, a FASP. Trata-se de uma fundação pública municipal, sem fins lucrativos, que integra a administração indireta da Prefeitura e atua diretamente na gestão e execução de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade.

A medida jogou mais de 200 funcionários concursados no desemprego imediato. O impacto atingiu em cheio a Unidade de Pronto Atendimento 24h (UPA), que perdeu parte expressiva do quadro técnico vinculado à fundação. Com equipes desfalcadas, o tempo de espera pode disparar e quem irá sofrer as consequências serão os pacientes com a precarização no atendimento.

Revolta no plenário

A revolta tomou conta do plenário. Servidores com mais de 60 anos, alguns a poucos anos da aposentadoria, questionaram o futuro funcional. “Demos a vida pelo município e agora somos descartados sem nenhum plano. Qual o nosso futuro daqui para frente?”, gritou uma servidora durante os protestos que marcaram o fim da sessão.

Pedido de vistas negado

Durante a tramitação, apenas quatro vereadores pediram vistas do projeto, são eles: Marcelo Peke (Republicanos), Tenile Xabier (PSD), Aldo Neves (MDB) e Fábio Santos (PSDB). A intenção era ganhar tempo para amadurecer a proposta e discutir saídas para os funcionários concursados. O pedido não barrou a votação, mas escancarou a falta de consenso sobre os riscos da medida e a matéria seguiu para votação com o aval dos outros 15 membros do plenário.

A base que aprovou a destituição defende a reestruturação administrativa e corte de gastos. A justificativa oficial defendida pela bancada da situação é modernizar a gestão da assistência social e facilitar a captação de recursos estaduais e federais.

Do outro lado, sindicatos e servidores acusam a Câmara de desmontar um quadro técnico concursado sem apresentar plano de transição. A principal crítica é o risco à continuidade de serviços essenciais e o abandono dos profissionais, especialmente os mais experientes.

Sem plano da gestão

Até agora, a Prefeitura não detalhou se haverá realocação, indenização ou novo concurso emergencial para repor as equipes da UPA. Usuários dos programas sociais da FASP também seguem sem resposta sobre a manutenção dos atendimentos.

O Executivo tem prazo legal para apresentar como vai reorganizar a assistência social e a saúde no município. Enquanto isso, a UPA opera no limite e os servidores cobram dignidade após décadas de serviço público.

Andresa Costa

Andresa Costa

Jornalista por formação, especialista em Comunicação Audiovisual - Cinema e Televisão. Já trabalhei como repórter em jornal impresso, rádio e TV aberta

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