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O professor ensina com seus conhecimentos. E educa com seus exemplos, sua prática. Pouca gente pode ensinar, porque ensinar implica um conhecimento prévio, especializado, sobre algo que se queira aprender. Conhecimento é conhecimento científico. A palavra científico tornou-se desnecessária há muito tempo, desde o fim da Idade Média, mas agora é preciso reafirmá-la, porque esse mundo é mesmo uma bola. Isso foi uma metáfora mas, sim, que o mundo é uma bola, isso também precisa ser reafirmado.
A criança, o jovem, conhece o que lheensinam e se educa com os exemplos e práticas dos adultos. São ensinados e sãoeducados. Em casa também se educa, quando os pais são exemplos. Não pelaspalavras, mas pelos atos. Mas nem sempre isso acontece. Não basta ser pai oumãe para ter um diploma eterno de educador. Ninguém se educa quando os paisdizem que devem amar o próximo e não interagem com os vizinhos ou odeiamminorias étnicas; nem se educam quando os pais dizem que não devem mentir epedem para dizer que não estão para quem bate à porta; menos ainda se educamquando os pais batem, xingam, são preconceituosos. O exemplo é que educa. Eeducar é sempre tornar-se uma pessoa mais civilizada, ou seja, capaz deconviver com quem não é da sua família, na cidade, no espaço público.
Também a escola educa as crianças ejovens. Mas um professor não educa quando fala em democracia e não ouve o queas crianças e jovens têm a dizer; não educa quando fala em convivência e égrosso com os alunos; não educa quando é preconceituoso, quando insulta, quandoimpõe sua autoridade com ameaças de expulsão ou notas baixas. Educar é tornar apessoa mais tolerante, empática com os que não são amigos, com os estranhos quecompõem o mesmo espaço no qual ela habita.
Aprendemos sobre o mundo e o universoe educamo-nos para cuidar dele; aprendermos sobre as águas, ventos, matas ebichos; educamo-nos para agir sempre em favor da continuação de uma vidaautêntica para todos os que estão aqui e para os que virão. A educação faz denós pessoas, cidadãos, conscientes de onde estamos e o que podemos fazer paramanter e melhorar esse ambiente. O ensino nos dá as ferramentas de compreensãoe transformação.
A religião surgiu no mundo associadaao desconhecido. Os primeiros deuses serviram para que as coisas estranhas ganhassem sentido, e oshumanos ofereceram sacrifícios para que esses deuses não fizessem essas coisas estranhas e deixassem que elesseguissem seus afazeres diários em paz. Com o tempo, a razão foi ganhandoautonomia e fixando os marcos do conhecimento das coisas: o sol não é um deus;o raio não foi lançado por um deus; o terremoto não é resultado da irritação deum deus; a morte não é um castigo de um deus. E então fomos aprendendo como sãoas coisas e como podemos melhorar o que é possível melhorar. A religião tambémpermaneceu em nossas vidas, como um referencial de conduta, inclusive emrelação à própria razão, quando essa se esquece que serve às pessoas e ao seubem-estar. Nas democracias maduras, a religião e a escola convivem como camposdistintos mas integrados, buscando o mesmo fim: o bem estar da comunidade.
A escola é o lugar precípuo do ensinoe um lugar destacado da educação. A família é o lugar precípuo da educação,assim como são os meios de comunicação, os clubes, as igrejas, que tambémservem como lugares para ensinar. Não há um lugar exclusivo para uma coisa nemoutra e muito menos excludente de uma coisa ou outra. E não deveria haver lugarnenhum para a intolerância e a violência, para o preconceito, a discriminação,para a destruição gananciosa, para o extermínio inconsequente. Estas práticasnão se confundem nunca com educar. Ninguém pode dizer que “educa ao seu modo”,pois não há o modo “odeie" no menu da educação para a civilização.