Este texto faz parte do Periferias Plurais, uma parceria entre o Plural, o Gasam e a Itaipu Binacional.
O Instituto Bom Pastor, na Região Metropolitana de Curitiba, tece uma rede de cuidado que une acolhimento, cultura e dignidade. Tudo começou a partir da vivência direta no cotidiano de pessoas em situação de vulnerabilidade e, hoje, a iniciativa apoia centenas de vidas, desde crianças do até pessoas em situação de rua e egressos do sistema prisional.
A trajetória da organização sem fins lucrativos reflete a história de seus fundadores, Eduardo Andrade e Paula Cunha, guiados pela crença de que a transformação social começa pela escuta e pelo respeito à cultura de cada indivíduo.
Ex-seminarista, Eduardo deixou a vida clerical em 2013, mas não o chamado para servir. Foi ao acompanhar trabalhos sociais no centro de Curitiba que ele encontrou sua verdadeira missão: estar ao lado dos mais necessitados. Esse trabalho orgânico deu origem, em 2018, ao Bom Pastor, após a conquista de um terreno, no bairro Guarituba Pequena, que abriga o projeto e os idealizadores.
Um dos primeiros e mais simbólicos trabalhos da organização é o “Caminhão do Banho”, voltado para pessoas em situação de rua — um serviço considerado inédito pela própria entidade. Toda quinta-feira, o caminhão adaptado oferece alimentação de qualidade, banho, roupas limpas e cuidados de higiene pessoal. Só em 2024, o projeto proporcionou 288 banhos, distribuiu 1.728 marmitas, 384 cobertores, além de 1.872 peças de roupa e calçados. Neste ano, a organização mantém o mesmo patamar de atendimento.
Além do acolhimento imediato, o instituto atua fortemente na área da cultura, com atividades voltadas ao público infantil do bairro, incluindo teatro, música, literatura e capoeira. Para Eduardo, essa é a espinha dorsal de um processo educacional que valoriza a identidade da comunidade. “As atividades físicas e pedagógicas funcionam como válvulas de escape e expressão. O método é baseado na coparticipação, em que todos podem opinar, decidir e construir juntos, para resgatar a autoestima e a potência individual”, explica.
Outra frente de atuação importante é o trabalho no Complexo Penitenciário de Piraquara. Graças a uma parceria com a Pastoral Carcerária — da qual Eduardo é coordenador estadual —, a iniciativa vai além do assistencialismo religioso e aplica a “pedagogia da escuta”, oferecendo suporte a egressos do sistema prisional com encaminhamento para serviços públicos e parceiros que cuidam da ressocialização e do retorno às suas famílias.
Na perspectiva do projeto, esse trabalho é crucial devido à centralização das detentas complexo. “Muitas egressas, ao serem soltas, se veem perdidas em uma cidade desconhecida” explica Eduardo.
Para garantir a sustentabilidade de suas atividades, o Bom Pastor disponibiliza diversas formas de contribuição, que incluem doações e o engajamento em trabalho voluntário. Interessados podem conferir todas as informações neste link.