Depois de meses sem atualizar o arquivo de cálculo da tarifa técnica do transporte coletivo, a URBS publicou com seis meses de atraso o documento referente as tarifas técnicas de janeiro e fevereiro de 2025. Os documentos detalham o uso de valores referentes aos veículos elétricos em operação na Rede Integrada de Transporte (RIT), que mostram que a transição para o uso de energia elétrica terá um alto preço.
O custo dos veículos elétricos já em operação, mostram os dados da URBS, é seis vezes maior que dos ônibus a diesel. Isso se refere ao custo de aquisição do veículo. Atualmente a RIT tem sete ônibus elétricos em operação: um no modelo comum e seis no modelo Padron.
Segundo a URBS, o valor dos ônibus elétricos considerado para amortização é de R$ 3 milhões para o modelo comum e R$ 3,05 milhões. O equivalente a diesel, diz o mesmo documento, é avaliado em R$ 410 mil no modelo comum e R$ 545 mil no modelo Padron.

Ao anunciar a operação dos veículos elétricos, a prefeitura enfatizou que, muito embora mais caros, os ônibus compensariam a diferença reduzindo o custo de abastecimento. “O preço de entrada do veículo elétrico é maior, mas ao longo da vida útil, incluindo os custos de troca de bateria, o veículo movido a energia é mais barato que o movido a combustão”, declarou o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto em comunicado da Prefeitura à imprensa em 28/10/2024.
Os dados da URBS, porém, mostram que a economia no abastecimento é de R$ 2,6 mil por mês no modelo comum e R$ 9,5 mil no modelo Padron.

Com base nisso, o Plural calculou que para compensar a diferença de R$ 2,5 milhões no preço do veículo seriam necessários 80 anos para os veículos comuns e 21 anos no modelo Padron. Os ônibus elétricos, porém, têm vida útil de 15 anos.
Atualmente a eletrificação da frota ainda é quase insignificante. Mas a prefeitura acabou de aprovar na Câmara a obtenção de empréstimos de R$ 1 bilhão para compra de 138 veículos elétricos, o que representa 10% da frota atual, que é de 1164 veículos. Com o mesmo valor, Curitiba poderia comprar de 276 a 690 veículos a diesel, aumentando a renovação da frota para 23% a 60%.